24.5.06

O engraçadinho do futebol

Nunca gostei do Regis Rösing, aquele repórter esportivo e falso vidente do Globo Esporte. Porque ele tem mania de ser engraçadinho. Aliás, é isso que eu não gosto no globo esporte, as reportagens engraçadinhas. Aquela apresentadora há anos mostrando os lances de gol com aquele tom de piadinha, chega a encher o saco. O Régis Rösing era repórter esportivo daqui de Pelotas e as reportagens dele eram muito engraçadas, quando quem sofria a piada era o time adversário. Mas confesso que não me lembro de nenhuma vez que ele fez piadinha com o xavante. Só sei que sempre odiei ele por aquele sorrisinho antes mesmo de começar a reportagem um dia depois do Pelotas perder uma partida. Ele tem o estereótipo daquele cara que puxa saco da capital e as reportagens dele eram sempre um agradinho pro Grêmio ou pro Inter. Mesmo quando meu time ganhava deles aqui na Boca, a reportagem era sempre naquele tom de "o pelotinha em, quem diria?". Um jogo entre Pelotas e Grêmio é apresentado no dia seguinte, no Globo Esporte, como sendo a notícia sobre o "jogo do Grêmio". Nesse negócio de futebol tem que se ter cuidado na maneira de colocar as palavras, principalmente no Brasil, onde a coisa é passional, doentia. No fim das contas o que fica é sempre o que o cara fez contra e nunca a favor. Mexeu com meu time? é um otário metido a engraçadinho. Falou bem? fez a obrigação.
Não sei como ele foi parar de repórter especial no Globo Esporte, provavelmente foi por ter o mesmo estilo: engraçadinho e agradando sempre às maiorias. A nível Globo-Nacional, falo em Flamengo e Corínthians. Vejo o Globo Esporte como um programa para aqueles caras que vivem por fora do Futebol, mas que adoram tecer comentários de vez em quando. Não sabem nada do que acontece, torcem para times das capitais do centro do País, e só aparecem pra com seus belos comentários um dia depois de uma Final transmitida pela Globo. Aqueles que só tem time quando ele está bem. Aquelas guriazinhas que não sabem nem o que é impedimento, passeando de camisa do Grêmio no calçadão na época da final mundial contra o Ajax. Aqueles bunda-moles com carinha de sabonete Dove que nasceram em Pelotas e nunca foram na Boca, na Baixada ou no Fragata, e dizem com um sorrisinho "ah eu sou São Paulo!" "Ah sim, São Paulo de Rio Grande?" "que? tem um São Paulo em Rio Grande?" ¬¬
E é o sorrisinho que denuncia. Quem gosta de futebol e ama um clube, nos bons e maus momentos, não dá sorrisinhos. Diz o nome do clube com seriedade, bate no peito. "Eu sou Áureo-Cerúleo". Ponto final.
Mas esse é o público do Globo Esporte, o tipo que se diverte com aquelas piadinhas como se futebol fosse só um assunto banal de fim de semana ou os gols do Ronaldinho para ilustrar a hora do almoço.
Nunca gostei desse tipo de gente. Sempre respeitei bem mais aqueles genuínos sofredores de qualquer clube pequeno. Ou de clube grande, mas que os acompanham. Futebol pra mim é assim, como diria o Joey Ramone, "if you're not in it, you're out of it".
Mas nessa bunda-molência toda o engraçadinho do Rösing foi parar no Globo Esporte. E aquelas matérias dele: parado atrás do gol, fazendo o coitado do câmera gravar 500 takes, pra poder dar uma de vidente e dizer 'por causa deste gol que vai acontecer agora, o Corinthians está eliminando o Fluminense...' enquanto o gol acontece em tempo real atrás dele. E o sorrisinho, argh. Aquela aparente tranquilidade narrando a cena com ar de "eu ja sabia": "ele invadiu, driblou, tocou, recebeu, chutou e marcou". É o repórter que quer aparecer mais do que o objeto de sua reportagem. Tentando parecer descolado, moderninho, irreverente. Pra mim, acaba sendo rdículo e irritante.
Hipóteses engraçadas sobre a clarividência do Régis são encontradas nesse blog aqui: http://www.esculhambacao.com.br/2006_03_01_archive.htm
E gostei dessa idéia: na hora do jogo, o negócio é ficar de olho do Régis. Se le começar a falar pra câmera é porque vai sair gol. Aí já dá pra comemorar antes, porque se o Régis tá falando, então é gol, ele sempre acerta.

Comentários: Power 5:53 PM




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