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16.5.05
de batatas e demônios Já vi muita gente fazendo alarde quanto às deliciosas batatinhas do Mc Donalds, por serem "modificadas geneticamente". Outro dia desses, enquanto degustava as tais batatinhas, que naquele dia estavam ainda mais deliciosas, por conta da larica, meu cérebro foi outra vez espetado pelo tridente do diabinho da dúvida, que habita as privilegiadas cabeças daqueles que questionam as cousas. Ora, convenhamos: o que tanto tem uma simples BATATA, para ser modificado geneticamente? o que diabos se pode mudar ou querer mudar numa coisa tão tosca quanto uma BATATA, talvez, o mais tosco dos legumes? (e o próprio som da palavra BATATA denuncia essa coisa bruta, bem menos elaborada do que "abóbora", "cenoura" ou "aspargos").
13.5.05 cartinha #2 para a Super Interessante Venho através desta expressar meu descontentamento com a mudança ocorrida no perfil da revista Super Interessante. Antigamente, eu a tinha como uma revista de ciência, na acepção mais pura da palavra. Hoje vejo a super se tornar uma revista que quer falar sobre tudo e acaba não falando muito sobre nada. Das últimas edições, praticamente todas tiveram a reportagem de capa "pegando carona" no último sucesso de Hollywood. O mapa do céu sumiu. A linguagem ficou popularesca e a abordagem superficial. Os temas variam tanto que se perde a noção do que afinal é a coluna vertebral da revista. Antigamente, tinha-se certeza: era a ciência. Hoje, parece mais uma revista sobre curiosidades gerais e assuntos "polêmicos". É uma pena! Perde a especificidade, a identidade e a autoridade. e demonstra uma tentativa gananciosa de abranger a maior fatia possível do mercado. Muito comercial, pouco altruísta. Espero que as críticas instiguem a reflexão dos editores. --------------- "Esse cara realmente odeia ganância" eles vão pensar...
cartinha #1 para a Super Interessante A enquete do mês de abril perguntava se as pessoas acreditam que em breve será normal fazer ligações pelo computador. Eu creio que a forma desta pergunta restringiu sua abrangência. Em breve os conceitos de telefone e computador devem desaparecer, pela convergência de tecnologias. Os aparelhos celulares de hoje são muito próximos dos palms, e todos acessam a internet. Assim, não vai demorar para que as ligações feitas do celular utilizem a internet como meio. É quase uma ironia que no começo a internet tenha utilizado a telefonia como suporte, e hoje a situação se inverte: a telefonia passa a utilizar a internet como base. Isto revela uma profunda transformação sócio-econômica. Com a convergência de tecnologias, quase tudo é transformado em dados, informação. E a humanidade está acordando para o fato de que a informação é um bem de todos e deve ser livre. Por este motivo, muito em breve o sistema de telefonia paga deverá sofrer uma crise, pois fazer com que as pessoas paguem para ter acesso a algum tipo de informação está cada vez mais difícil. O fenômeno contemporâneo da mp3 é um exemplo disto. É inútil tentar controlar a circulação de mp3, porque o fluxo destes dados é gigantesco e globalizado, socializado e democratizado. O mesmo ocorre com a pirataria, que só existe porque deve haver demanda e, principalmente, um descontentamento geral com a exploração da informação por parte de empresas privadas. Vive-se agora o tempo de crise para uns, mas de liberdade e justiça econômica para outros. É um período de transição. Por mais que tentem resistir, em breve, empresas que exploram a venda da informação, que cobram pela comunicação, ficarão obsoletas e, ou deixarão de existir, ou terão de se adaptar aos novos paradigmas. A verdadeira pirataria, que deve ser combatida, é aquela do plágio, que nega o verdadeiro autor. Não é o que acontece hoje. Não há melhor exemplo do que o sistema Linux que, mesmo sendo de código aberto e distribuição livre, todos reconhecem - e respeitam - a autoria de Linus Torvalds. A internet será - e ja é - o principal agente catalisador desta revolução. Se o mundo real é injusto e ganancioso, o mundo virtual está nascendo igualitário e compartilhador. Compartilhador porque é descentralizado, e na ausência de um centro, não há o individual, não existem "donos". Toda a informação que flutua está em todo o lugar, simultaneamente, e pertence à ninguém, a todos. Onde o mundo virtual passa a interferir no cotidiano real - como é o caso da telefonia por IP - é que encontramos esperanças de que a liberdade de informação que experimentamos na internet possa fazer parte do mundo tangível, tornando a realidade mais justa. ------------------- Podia ter ficado melhor. Podia ter incluido citações, melhores exemplos, amarrado melhor os parágrafos e inserido mais expressões retóricas. Mas são 04:47 da manhã e eu acho que eles pegaram a idéia da coisa.
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