26.4.05

inspiração noturna

a emenda parlamentar
dilacera a vida particular
kyocera vendas de celular
que venda os olhos
na magia da ilusão
de conexão interestelar
com bem-estar que quer chegar
com sucesso sem progresso
militar o ingresso vai comprar
sem regresso é o que peço
de favor no hemisferio sul
o fim do amor que arranha
o céu azul com louvor,
anel de doutor vai virar ao grau
de maioral elevar
a sociedade pode vibrar
e a mascara não esconde mais nada
no dia em que o dia chegar
tocará o celular
avisando a encruzilhada
parando a caminhada
então embalada
tropeço será só o começo
do efeito dominó no sujeito
que não tem mais jeito
Deus tenha dó, patria amada
do seu peito amamentamos
sua vida retiramos o melhor
desmatando e nao plantando
de volta a arvore da criança-
-esperança de didi mocó
fica a revolta contra a história
trajetória que escrevemos
e nem percebemos
enquanto comemos e bebemos
o que manda a televisão
por trás da graça de renato aragão
quem agora é o trapalhão?
engordamos e morremos
um pouco por dia até o dia
de hoje em dia
do juízo final ao pecado original
da encruzilhada fatal ao efeito colateral
a razão é falsa, a velocidade suprime
aquilo que a tela não imprime
na favela sobre o crime
de quem vive do outro lado
e nao entende o tao falado
presidente tao a frente do carro
de bois e deixa pra depois
o rimeiro de dois ou tres
assalto a mao armada já
não importa mais nada, talvez
se eles nao escutam
o estomago do ladrao
com a arma na mao e
folego no pulmao
pra ultima baforada
que o liberta da cilada
que armaram contra ele
numa sala bem fechada
atrás do terno e da gravata
de brasília, a maravilha
da arquitetura futura
e daquela ditadura
que ainda perdura
não querendo se acabar
evitando se mostrar, revelar
sua influencia no meio parlamentar
paciencia e anseio
o dia vai chegar
em que as coisas vão mudar
se até lá resistir
e não se esvair
minha vida particular
eu sigo escondido
atrás da tela do celular
esperando conectar
e não entrego pro bandido
só se ele me matar
vagabundo vai trabalhar
esse país ta fudido
não dá pra confiar
luis inácio vai mudar
pro palácio e de discurso
enquanto barco vai sem curso
rumo ao iceberg
ele brinca de turismo
na beira do abismo
e a tela manda comprar
o novo celular que vai tocar
mp3 do latino
direto da latrina
pro domingao do faustao
e a mulherada rebolando
mostrando o bundão que é paixão
nacional como futebol e cerveja
que embriaga e impede
que o povo veja
e a vida segue, todo mundo esquece
aqui ou em brasilia
segue a maravilha
mundo novo digital
amanhã vem carnaval
tem mais bunda, cerveja e futebol
e o dia final
do juizo fundamental
foi prorrogado
para o proximo sabado
porque viraram a mesa
do campeonato e do estelionato
e de quem vive na pobreza
condenado ao anonimato
por mais um mandato

Comentários: Power 6:22 AM



22.4.05

constatações futebolísticas

A lei do impedimento foi criada para justificar a existência do bandeirinha, que nada mais é do que um cara vestido de juiz correndo perto da tela para que os torcedores possam xingá-lo.

Comentários: Power 4:37 AM



18.4.05

...

Comentários: Power 6:18 PM



personality goes a long way

Quase sempre vêm aqueles que, querendo parecer cabeça aberta, imparciais, argumentam contra mim, afirmando que o fato de comermos carne de vaca e não de cachorro, ao contrário do que fazem na tailândia, é uma questão puramente cultural.

Pois eu discordo e argumento. Não tem nada a ver com costumes. Cães não servem como comida, da mesma forma que vacas não servem como companhia.
Um cachorro nao oferece tanta carne para ser retirada. Além disso, ele é de fato um amigo do homem, possuindo um potencial muito maior para o companheirismo e para a inteligência do que pra prover carne. Para se obter uma quantidade razoável de carne seria necessário matar muitos cães. E isso seria um desperdício daquilo que um só cachorro pode oferecer em muito mais quantidade e qualidade, do que carne. São suas características comprovadas de fidelidade, amizade e atividades práticas que derivam da sua inteligência, como cães policiais ou de guarda, cães-guia, cães de caça, etc.

Cachorros não desempenham estes papéis aqui porque a cultura os fez ser assim. Desempenham porque a natureza os fez assim. Na Tailândia tudo o que eles fazem é impedir que os animais desempenhem seus papéis naturais, e simplesmente comem todos eles. Pegue um cachorro tailandês e ele será dócil e inteligente como qualquer outro. Agora tente treinar uma vaca. Talvez seja até possível, se fizermos como no circo, obrigando o animal a passar em zigue-zague pelo meio de bandeirinhas, podemos nos enganar dizendo que a vaquinha aprendeu um truque, mas na verdade ela vai andar em zigue-zague até o fim dos seus dias. Aqui ou "na china", uma vaca não tem o mesmo senso de fidelidade e amizade de um cão. É um animal totalmente estúpido, que não faz nada além de pastar, e que se você não a usar pra obter leite ou carne, você realmente não vai usá-la pra mais nada.

Isso que acabo de escrever é como os animais são, e não como eles são vistos. Talvez a única coisa que possa ser chamada de "questâo cultural" nessa história é a maneira como as diferentes culturas vêem os animais. Mas a maneira como os vemos não vai mudar o que eles são por natureza. Se os tailandeses não vêem os cães como animais inteligentes e companheiros, ou se os índios vêem as vacas como sagradas, então a cultura deles é burra nesse aspecto, porque insiste em ver os animais de uma forma que, na realidade, eles não são.

Já o que a nossa cultura diz sobre cães e vacas, coincide com a natureza destes animais. Se alguém quiser forçar a barra, pode dizer que eu, por fazer parte dessa cultura, estou vendo os animais como a cultura me manda ver, mas eu não sou tão tapado assim. É bem mais provável que nossos amigos do médio-oriente estejam cometendo este erro.

E como diria Jules: "dogs have personality; and personality goes a long way".

Comentários: Power 6:15 PM



14.4.05

what´s up nigga?

Esse negócio de racismo chegou num ponto repugnante; não pelo excesso de racismo, ou talvez sim, pelo excesso, mas de uma maneira diferente da que se pensa à primeira vista.

Estamos em um ponto onde temos medo de dizer a palava "negro", para não sermos presos. Pensei nisso hoje ao ver que um jogador argentino foi preso após chamar o outro de negro num jogo aí. Que ele pagasse uma multa ao rapaz que se ofendeu, tudo bem. Mas ser preso significa ser afastado do convívio social e mandado para um covil junto com criminosos dos mais variados níveis. Porque é uma ofensa moral tão profunda essa que, se eu chamar uma pessoa daquilo que ela realmente é, mesmo que para ofender, eu passo a representar um perigo para a sociedade e devo ser privado de seu convívio? Um negro é negro assim como um médico é médico e eu posso xingá-lo de "seu médico", e isso seria por acaso algum tipo de discriminação contra a classe dos médicos que me levaria para a cadeia?

Existe sim o racismo perigoso quando agressões de verdade são cometidas, ou discriminações injustificáveis. Um dono de bar que não vende para negros, por exemplo. Mas também o dono de bar que só vende para negros é racista. E aqui chegamos num ponto importante, porque este último não me parece que será punido com a mesma força que o primeiro.

Estamos neste ponto onte somos obrigados a fingir - o que é ridículo - que nem sequer percebemos a cor da outra pessoa! Foi criada uma política de pavor que é muito mais racista do que o suposto racismo que ela combate. "ahn? o sr. é negro? puxa, eu juro que não havia percebido!! não, não, eu não disse negro! eu não disse negro"...

Não devemos, é claro, discriminar ninguém pela cor, mas no momento onda tantas leis garantem privilégios especiais para um só raça, como as cotas em universidades e até em concursos públicos, aí não se está igualando ninguém, está se diferenciando ainda mais. Essa política ainda dá margem para abusos de um lado que se aproveita de ser o lado "desfavorecido", e que termina sendo o favorecido. Black Music, camisetas "100% negro", revistas dedicadas ao público negro, cotas para negros em universidades e concursos públicos... isso não é segregação? não é racismo? Não seria de certa forma, mas é. Não vejo problema em fazer produtos destinados a públicos específicos. Mas que seja para todos os públicos. É contraditório dentro de uma política que insiste para que ignoremos a cor da pele, não no sentido de não se importar com isso, mas no sentido de fazer de conta que somos todos da mesma cor, e ao mesmo tempo permite que determinados produtos distingam seu público-alvo, justamente, pela cor da pele. Além dessa contradição, certamente eu correria mais uma vez o risco de prisão, se saísse por aí com uma camiseta "100% branco", lendo a revista "raça branca" , e demais correspondentes.

Não sou a favor de acabar com essa distinção; pelo contrário apóio a idéia de produtos identificarem seu público pelo que quer que seja, pela profissão, destro ou canhoto, branco ou preto. E também as pessoas têm o direito de se identificar com grupos seja pela cor, pela música que gosta, whatever. Mas sou a favor, sim, de que as diferenças realmente existam, possam ser notadas, e ainda assim não façam diferença. Na tentativa impossível de acabar com as diferenças que realmente existem, é que elas se tornam um problema.

Não existir racismo é não levar tão a sério, como se fosse um assassinato, ser chamado de branquelo ou de negão. Até porque eu sou branquelo, oras, vai me chamar de quê?
Não existir racismo é saber que as diferenças são apenas de cor de pele, e não passam disso. E isto tudo é bem diferente de tentar impor às pessoas que ignorem ou finjam que não existe esta diferença que, na verdade, não faz diferença.

Existe, eu sei, o velho argumento de que os negros foram escravizados e por isso merecem os privilégios hoje. Mas, além de eu discordar da idéia de que um fato passado e terminado possa servir de eterna justificativa, a coisa parece estar se encaminhando mais para o lado da vingança do que da igualdade. Os valores que antes eram desequilibrados, estão não apenas se equilibrando, mas invertendo a balança para o outro lado. E isso seria tão errado quanto foi o erro da escravidão. Enfatizar o comportamento separatista evidencia um racismo muito maior do que se apenas não o cometêssemos, mas com naturalidade. É exatamente como no caso do feminismo exagerado que, usando o argumento de que as mulheres foram subjugadas no passado, elas devem hoje não apenas obter seus direitos iguais, mas serem literalmente iguais aos homens em todos os aspectos, e se possível melhor que eles em quantos forem possíveis. Essa atitude é combatida até por muitas mulheres, que entendem que homens e mulheres têm direitos iguais, mas não são iguais.

Respeitar diferenças não tem nada a ver com ignorar as diferenças. Branco é branco e preto é preto, são diferentes, mas isso não faz um ou outro ser melhor ou pior. Enquadrar questôes irrelevantes como racismo, acaba contribuindo para a existência de um racismo ainda pior.

Comentários: Power 6:19 PM



oversearch

Se jah existe eu não sei, mas inventei um termo: oversearch.

Antes o google retornava resultados reais quando se procurava algo.

agora a primeira pagina vem quase lotada de resultados de outros buscadores, principalmente o tal "gigabusca".
aí tu clica e vai parar num site cheio de link inutil.

oversearch eh uma merda.

[em tempo: "se jah existe eu nao sei" ficou ambiguo... JAH... sacaram? jah sacaram?]

Comentários: Power 12:44 AM



7.4.05

Um belo dia na Praça São Pedro

Papa Júlio II: Tô achando essa Igreja muito sem graça...
coroinha (anônimo): De que maneira, Santo Padre?
Papa: Sei lá... acho que falta uma pinturinha no teto.
cor.: Sua Santidade pretende mandar pintar de que cor?
Papa: Tô afim de contratar um pintor pra fazer uns desenhos aí, cenas da Bíblia, essas coisas... que essa vidinha aqui dentro tá um saco, o vinho é sempre o mesmo e a decoração não ajuda...
C: Posso falar com meu amigo Rafael, ele estuda pintura com os grandes de Florença...
Papa: Hmmm.. não... esse garoto, Rafael, tem talento, mas não tem criatividade...
C: O Santo Padre prefere então um artista experiente... que tal Leonardo?
P: Também não.. Leonardo tem um parafuso a menos.. dizem que ele coloca coisas escondidas nas pinturas... e há boatos de que ele é bruxo... inventa bugigangas e viola a morada dos falecidos, para abrir-lhes o corpo! [fazendo sinal da cruz]
C: Sacrilégio...
P: Mande uma mensagem para Miguel Ângelo...
C: Caravaggio?
P: Buonarotti.
C: O escultor?
P: Escultor, Arquiteto, Pintor, preciso de um artista! Chame o Buonarotti. Se ele não pinta, terá de aprender.
C: Pois não, Santo Padre.


[Quatro anos depois]


Coroinha: Belo trabalho deste Michelângelo em Santo Padre?
Papa: Belo trabalho? Trabalho o meu, você quer dizer! Além de ser rabugento e mal-educado, o tal Michelangelo me coloca todo mundo pelado no teto da Capela! Onde se viu isto?
C: Sua Santidade gostaria que eu ordenasse Buonarotti a corrigir a heresia?
P: Pois é... mas ele cobra muito caro. Faz assim, chama esse guri teu amigo, o Rafael, e manda ele pintar uns panos aí por cima pra disfarçar.
C: Sim, Santo Padre.

Comentários: Power 7:50 PM




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