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22.10.04
Pra segurar as pontas, o melhor é fechar uma marica...
19.10.04 ask the oracle Ou: mais um post enorme que você não vai ler todo... Sites de busca sempre ficavam rapidamente defasados. O Altavista superou o Cadê?, para ser superado pelo Yahoo!, que foi massacrado pelo Google. Eu nunca entendi nem acompanhei muito bem a lógica dessas substituições, sempre cheguei um pouco atrasado. Eu continuava buscando no Cadê até perceber que todo mundo agora só usava um tal Yahoo!. E só depois ouvi a história dos dois adolescentes micreiros que inventaram o Yahoo! e ficaram milionários. Até que um dia, atrasado de novo, eu percebi que a nova moda era um certo "gúgol". O que eu nunca entendi é como as pessoas migram tão rapidamente de um buscador pro outro, se eu nunca vi propaganda de buscadores. E ninguém vinha me falar, e nem mesmo SPAM eu recebia. Simplesmente, feito mágica, eu acordei um dia e e era Yahoo!, e dias depois era "gúgol". Demorei um tempo pra migrar para o gúgol e descobrir que era Google. Demorei mais ainda pra confiar nele. Eu já esperava, de fato, que o Google desaparecesse alguns meses depois e se unisse à Yahoo!-Altavista-Geocities, sendo esmagado pelo mais novo buscador. Mas não aconteceu. O Google ta aí a tempos e ninguém tira ele de lá. Só pela permanência e eficiência, eu logo me convenci que o Google era mais do que apenas outro site de busca. Estranhamente, o Google sempre encontrava tudo, e de maneira precisa. Ele percebe erros de digitação e sugere correções, funciona como tradutor e também como calculadora. Depois que li a reportagem sobre o Google em alguma Super Interessante deste ano, minha admiração tornou-se espanto, assombro. Sem entrar em detalhes aqui, a busca do Google é bem mais complexa e inteligente do que eu imaginava. Por vezes me flagrei pensando e crendo que, se alguma coisa não estiver no Google, ela provavelmente não existe. Percebi também que tenho feito muito mais buscas na internet atualmente do que fazia na Era Yahoo!.. muito mais mesmo. Não porque eu fiquei mais nerd, mas porque a facilidade e a precisão do Google, naturalmente, me conquistaram. Antigamente pesquisar na internet era uma segunda opção, era o que se fazia na falta de recurso melhor, e já com a certeza de que não acharíamos nada muito preciso ou completo. Hoje, meu primeiro instinto ao me deparar com uma dúvida que não consigo decifrar sozinho, é apelar pro Google. Mesmo quando estou na rua, longe do computador, automaticamente eu penso "gúgol" (mais ou menos como os designers que, após trabalharem por horas no computador, pensam em CTRL+Z quando erram um desenho a lápis). Ao contrário de antigamente, se hoje o Google não encontrar nada para o que você mandou procurar, estranhamos e tendemos a considerar que a falha provavelmente foi nossa, e não do sistema. Consideramos a possibilidade de ter digitado errado ou mesmo da coisa não existir, antes de pensar que ela não consta no Google, ou que o Google não é capaz de encontrá-la. Em suma, o Google torna-se assustadoramente cada vez mais humano. Por isso, eu arrisco dizer que o Google é o oráculo pós-moderno. Aquela tia que ha séculos atrás inalava fumaças suspeitas em Delphos, e oferecia respostas a todas as perguntas dos contemporâneos do saudoso Sócrates, tem seu correspondente hoje na forma de uma inteligência artificial cada vez mais inteligente, cujo nome é esse barulhinho engasgado e dúbio, "gúgol". Exatamente como fora citado em Matrix, só que com uma interface menos amigável e mais funcional. Vários afirmam que a ficção científica antecede a realidade; no caso de Matrix, o Oráculo era amigo. Mas em quase todo o resto, o "computador central com acesso a todas as informações" rebela-se contra nós, seus criadores. Um outro cara já disse que a primeira inteligência artificial consciente de si mesma não vai surgir em um laboratório, sob os olhos dos cientistas, mas sim, ela será a grande e complexa rede, por onde trafegam todas as informações, que pode, ocasionalmente, tornar-se consciente. Pode parecer absurdo, mas eu concordo com esse cara. Principalmente ao ler naquela reportagem da Super que o objetivo dos Google-caras é tornar a internet uma grande rede de processamento compartilhado. Ou seja: todos os computadores do mundo "shareando" suas "capabilities" para que tudo vire um imenso computadorzão. E agora, a idéia daquele cara ainda lhe parece tão absurda? (o texto é grande, faça uma pausa, respire, dê uma voltinha... agora prossiga). Esse é o lado assustador. Mas tem o lado respeitável. Até onde eu sabia, e até onde muita gente pensa, Google é só uma ferramenta de busca. Pensando nisso, eu não entendi, de primeira, porque é que dos "laboratórios Google" foi sair o Orkut e o Gmail. "Como assim um site de busca está dando 1GB de graça? Por que eles fariam isso?" Aí que eu me toquei: a missão da Google é organizar a informação. Não apenas fazer busca. A internet é um emaranhado de toneladas de informação desordenada, e não adianta fazer uma busca e receber "mostrando de 1 a 20 de 45.975 resultados obtidos (esta pesquisa levou 2 segundos)". Alguém precisava organizar essa informação toda, e o Google fez isso, temos de admitir, muito bem feito. O google propriamente dito faz buscas diretas, traduções e cálculos imediatos; o orkut organiza a "busca de" e a "interação entre" pessoas, e o Gmail organiza as suas informações pessoais remotas. São três grandes sacadas, vindas todas da mesma empresa! Como o orkut já foi mais do que comentado por aí, vou me deter a falar do Gmail. Além das funcionalidades internas e de sua interface avançada em relação aos outros emails gratuitos, são seus princípios que merecem destaque. De cara, o que chama atenção no Gmail é o espaço de 1GB por usuário. Pode parecer um exagero hoje, se pensarmos que emails não ocupam tanto espaço; mas em 1981 Bill Gates disse que "640KB são o suficiente pra qualquer pessoa". A tendência é que os dados sejam cada vez menos locais, e cada vez mais remotos; ou seja: se hoje a maioria dos seus dados está no seu HD, futuramente ela estará online. E além do mais, ninguém havia oferecido 1000MB de graça até agora. Além disso, o objetivo é nunca apagar os emails. O Gmail agrupa emails trocados em sequência com a mesma pessoa em um só arquivo, e possui um sistema de busca interna totalmente personalizável, para você encontrar qualquer coisa, palavras ou arquivos, pelo meio do monte de mails que você não vai apagar nunca. O Google parece-me ser, portanto, um mal necessário. Aliás, não um mal, mas um perigo necessário, já que até agora eles têm se comportado direitinho...
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