26.8.04

Da série "assuntos proibidos na faculdade":

Design x Arte

ou: "tem certeza que tu quer entrar nesse mérito?"
ou ainda: Cansei de assistir e vou entrar nessa discussão
Aproveitando pra inserir a crítica: cada macaco no seu galho

Tem assuntos que quando citados no meio acadêmico, normalmente a reação do seu interlocutor será: "ihh, mas aí a gente vai entrar em toda uma discussão, que nem vale a pena". Isso se ele não tiver um doutorado, porque se tiver, ele dará uma risadinha de superior e um suspiro e dirá algo do tipo "vai com caaalma..." e uma piscadela, com teor de consolo misturado com pena. São os assuntos proibidos da faucldade. Tabus. Pessoas de baixa auto-estima, que acreditam que certas discussões são realmente demais para elas, e que devemos deixar isso pra "autores". Não contentes, eles disseminam a idéia de que todos somos incapazes de discutir o assunto, e nos desencorajam a continuar. De certa forma, isso é uma reação de quem já está bitolado pelo maldito método acadêmico de pesquisa, o qual eu criticarei, com veemência, em outra oportunidade. Então, leitor, vamos quebrar o tabu e falar sobre... DESIGN x ARTE ? (tcham tcham tcham tchaaam)

Devo começar dizendo que dificilmente sairá daqui uma definição clara das fronteiras entre arte e design, visto que até hoje existem enormes divergências entre os mais importantes teóricos, não só sobre estas fronteiras, mas também sobre conceituar cada uma destas coisas individualmente. Não sabemos definir arte, nem design, ou pelo menos não temos uma definição que agrade à grande maioria (na verdade, temos tantos conceitos diferentes que, de fato, não temos um conceito) e já queremos estabelecer limites entre as duas áreas. Bom, mas isso também não significa que elas sejam iguais.
O Design Gráfico da UFPel é uma habilitação do curso de Artes Visuais, sendo que o curriculo do curso é idêntico ao dos cursos de arte até o quarto semestre. Somente a partir do quinto é que se fala em design. Até o quarto, história da arte, filosofia da arte, teorias da arte, pintura, escultura, gravura, e por aí vai.
Tentando ser breve, as idéias de que compartilho são as de que Arte não possui função prática, existe por ela mesma, e de que Design é projeto (desígnio), que gera produtos (logo, um cartaz ou uma cadeira são frutos do design, e não objetos com design), mas não necessariamente visando o consumo. Marketing e Publicidade são consequência do capitalismo, e dele dependentes. O design não; a publicidade e o marketing aproveitam o design como incremento de seus objetivos, mas o design vai muito além disto. Isto também não significa que o design não possa se valer do capitalismo moderno, e voltar-se ao consumo, afinal, para sobreviver, é preciso adaptar-se às circunstâncias. Ou seja, melhor dizendo, o design por si só não precisa do capitalismo; mas o profissional, hoje, precisa.
Design e arte não são a mesma coisa. Talvez o design tenha derivado da arte, ou não; o fato é que, atualmente, são coisas distintas, e o design usa a arte em seu benefício, assim como o marketing usa o design.
Diferente daquilo que muitos pensam e muitos outros querem, nem a arte e nem o design estão em todo o lugar; aliás, fica cada dia mais difícil encontrar design ou arte de verdade. Ambos são constantemente confundidos com o artesanato, que já é outra coisa, nem arte, nem design. Esse sim, espalha-se como praga por todas as esquinas sob letreiros que afirmam: "design!", ou sob elogios de falsos críticos que teimam em promover o artesão ao status de artista. Aliás, nesse barco entram também os artistas do acaso, aqueles que não possuem nem conhecimento nem técnica, mas brincando de espalhar massa acrílica com tinta e retalhos em cima de uma tela, acabam mais cedo ou mais tarde fazendo alguma coisa bonitinha, por pura sorte. E aí não faltam impressionáveis para nomeá-los artistas. A incidência deste último grupo, em Pelotas, é alarmante. E por fim, mas não menos irritantes, eles, os micreiros. Antes de descer a porrada, digo que eu também sou micreiro; mas como diria o Parreira, cada macaco no seu galho. Estudantes ou entusiastas da informática cujo maior sonho é ser designer. Talvez eu seja um deles, mas eu estudo Design (sim, corporativista). Eu não me auto-denominei designer, do contrário, faço um curso que, quando acabado, umas pessoas chegarão a mim e elas me concederão, oficialmente, o título de designer. Claro que devem haver os autodidatas que, além da bíblia do photoshop, também estudaram história da arte, gestalt, semiótica e afins. Mas convenhamos, qual a probabilidade? 1:1000000000, talvez?

Existem certamente mais questões do que respostas; aliás, para cada nova resposta, surgem cinco novas questões. A priori, a arte, além da desfunção, carrega o conceito de obra única, original (obra prima), enquanto o design carrega o conceito do projeto para produção em massa. Mas os tempos modernos trouxeram mais questões do que respostas, pra variar. exemplos:
Fotografia é arte; mas uma fotografia digital, ao ser reproduzida, gera cópias idênticas, a ponto de que o conceito de original e único é perdido. A fotografia digital, portanto, é arte? Uma bela foto, banalizada em um fotolog, reproduzida em cada pc ao redor do mundo, é arte? Aliás, ela precisa ser mesmo bela? Será que a arte moderna já não escanteou esse conceito, desde o dadaísmo?

Agora o design: Necessariamente precisa haver uma produção em massa a partir do meu projeto? se eu criar UM objeto a partir de um projeto, ele não é fruto do design? mas também não seria uma obra de arte? Ou se eu tenho uma série de cadeiras assinadas por um designer, e se eu pego uma delas e penduro na parede, anulando a sua função, ela passa a ser uma obra de arte, por perder a função? Duchamp não fez isso com aquele mictório?

Essa discussão vai muito longe. Aliás, ela já vem de muito longe, estamos aqui dando continuidade a ela, que certamente, vai continuar por aí. Talvez não exista resposta, talvez arte e design sejam processos em constante evolução, em eterno devir, dinâmicos a ponto de não poderem receber definições estanques e formalistas.

A revista da ADG número 28, traz na página 28 o artigo de um designer (Júlio Freitas) que discute as fronteiras entre design gráfico e design multimídia (webdesign entra onde? e por aí vai) Ao tentar definir estas fronteiras, o autor acaba concluido que elas são indefiníveis, e que tentar impô-las é um equívoco; A pós-modernidade é inter, transdisciplinar; de cada profissional, são exigidas ações que transcendem sua formação acadêmica e confunde as atividades; Talvez seja melhor pararmos de tentar criar barreiras e entendermos que os campos de atuação se transpassam cada vez mais. É claro que, assim como não podemos estabelecer limites rígidos, também não podemos perder a noção da distância que tomamos do centro. Senão, artesanato vira arte, micreiro vira designer, etc.

Eu não dei aqui, e nem pretendia dar, respostas à ninguém. Talvez eu tenha levantado mais dúvidas. Mas acho que consigo acender uma lanterna na discussão, para sabermos de fato o que estamos procurando e quais são as perguntas corretas que devemos fazer para obtermos a resposta. E também pra acabar com esse tabu, essa mania de inferioridade, de achar que é melhor não entrar em certos méritos, que existem estudiosos filósofos em constante meditação sobre o tema, deixemos isso para eles, sábios.

E era isso.

Comentários: Power 3:16 PM



24.8.04

In your dreams

Charlie Kaufman é um gênio. Me chamou muita atenção com confissões de uma mente perigosa, quero ser John Malkovich e adaptação, mas ainda seria precipitado incluí-lo na lista dos favoritos. Mas depois de eternal sunshine of the spotless mind, o cara conquistou um lugar na minha tribuna de honra dos diretores, quase ao lado do Tarantino.
Kaufman trabalha temas românticos ou dramáticos sem parecer piegas ou clichê. Mais do que criar boas histórias, sabe contá-las muito bem. Elementos bizarros são inseridos tão sutilmente que acabam perfeitamente aceitáveis no contexto, sejam eles "tocas de coelho" para dentro de cabeças alheias ou máquinas de fazer esquecer. Os personagens não parecem nem um pouco impressionados com estas surrealidades, justo porque o foco da obra não é a ficção: esta é só um meio. Ou seja, as coisas mais estranhas são usadas para falar das coisas mais triviais, como crises de identidade, problemas conjugais e lembranças que desejamos esquecer. O absurdo nos ajuda a entender o real. Aliás, Kaufman exagera no real: atores são enfeiados e alguns personagens beiram o patético. Mas você vai, inevitavelmente, se identificar com um ou outro dos seus defeitos. Como se só isso não bastasse, Charlie ainda trabalha a condução e a arte com maestria; Histórias não lineares, jogos teatrais com o cenário, uso ponderado e preciso de efeitos especiais, e uma visão particularmente familiar sobre os interiores da mente humana.

Comentários: Power 3:33 AM



Desliga a TV e vai ler um livro

Marketing de Guerrilha, apesar de ser uma das coisas mais interessantes, é também das mais repulsivas de que já ouvi falar. Assim como roubar uma pilha de dinheiro que estiver dando sopa, é tentador, mas inaceitável. O marketing de guerrilha se subdivide em diversas outras ações bizarras, como o ambush-marketing (marketing de emboscada) e marketing invisível (diferente de mensagem subliminar).

O ambush marketing é mais entre empresas, e até aí, azar o deles. É como quando a Kaiser patrocinava algum evento da Globo, e o pessoal da Brahma tinha uma van cujo objetivo era perseguir a câmera ao vivo da Globo para levantar cartazes da Brahma atrás do apresentador para empurrar sua propaganda; armadilhas que o pessoal de uma agência ou marca, faz para o pessoal da outra. E enquanto o Marketing de Guerrilha se resumir a marcas de cerveja ou sabão em pó "lavando roupa" na TV, eu não me importo. O que me dá mesmo nos nervos, é o marketing invisível.

A prática consiste em, por exemplo, o que a Sony-Ericsson fez quando lançou o primeiro celular com câmera digital: mandava atores para pontos turísticos, que pediam pra transeuntes tirarem fotos suas na frente de algum monumento, e, surpreendentemente, entregavam à vítima um celular, e não uma máquina. Ou da linda mulher que chega em um bar e pede fogo, para acender uma cigarro de marca diferente. A vítima, inocentemente, fica interessada e conversa com a pessoa sobre o novo produto, e tá feita a propaganda.

Então, se eu roubar aquela pilha de dinheiro, não será errado se ninguém perceber? Afinal, a questão da ética está no fato, ou na percepção do fato?

Os publicitários defensores da prática, dizem que as pessoas já não prestam mais atenção nos meios tradicionais, como anúncios em TV, Revistas ou e-mail. Então seria necessária uma "inovadora" prática, para atingir o público e captar sua atenção novamente. Ou seja: as pessoas não confiam mais em propaganda, mas confiam em outras pessoas. Então eles querem usar isso. Mas o que acontecerá quando, por causa do maldito marketing a serviço do capitalismo, as pessoas não puderem mais confiar em outras pessoas? viveremos desconfiados de qualquer estranho que peça fogo ou pergunte as horas?

Em suma, marketing invisível, e qualquer outro marketing de guerrilha, é predatório; Assim como o spam, é uma propaganda que me faz odiar o produto, ao invés de querê-lo.

A MTV me surpreendeu com a melhor vinheta que eu já vi uma emissora publicar: a tela fica preta e aparece a mensagem escrita, e ao mesmo tempo narrada: "DESLIGA A TV E VAI LER UM LIVRO". Uma emissora de TV, que pede para que eu pare de assistí-la, desde que eu vá ler um livro, porque é mais importante, porque eles não se importam em perder audiência em troca de incrementar a cultura da população. E eles perderão mesmo audiência? claro que não! Um anúncio desses faz com que eu aprecie ainda mais a emissora. Todo mundo sai ganhando. Isso é um bom marketing.

Comentários: Power 2:42 AM



3.8.04

eu sei que não te liguei hoje...

Mas tu vai ler isto, eu espero, até as 8:30 que é quando acaba a minha aula... e vai ficar sabendo que eu vou te levar pra jantar... vai sair do computador agora e vai te arrumar... e eu vou passar aí sem avisar... TE AMO.

Comentários: Power 6:57 PM



Power & Lilah... 6 MESES!



TE AMO GORDA! ;@@@@@@@

Comentários: Power 6:46 PM




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