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30.7.04
despedida de designer "-gente o layout tá bom, mas eu tenho que ir"
me vê uma meia-dúzia Semestres. That's all about semestres. Penúltimo semestre de Design Gráfico, sabe-se lá que semestre pra chegar ao fim de Sistemas de Informação, 44 semestres de vida, e um semestre, o primeiro de muitos, com a pessoa que combina tanto comigo que eu até me assusto. Te amo gorda!
"vamo combiná alguma coisa, juntá o pessoal..." "vamo, vamo" diz a outra pessoa; e nunca mais se falam. Todo mundo já passou por esta situação, com amigos de longa data que estavam sumidos. Ali, na hora, até que as intenções são sinceras. Mas logo depois que se despedem e voltam aos seus afazeres, esquecem o assunto, e só voltam a querer "combinar alguma coisa, um churrasquinho", a próxima vez que encontram o velho amigo. Eventos são assim. De campanhas beneficentes a congressos estudantis, são todos (infelizmente) meros reencontros rápidos entre amigos na rua. No N Design é maravilhoso como todos estão engajados na história do design social, da arte, da cultura, da produção independente, do não fazer apenas pelo dinheiro, do me-passa-teu-email-pra-gente-fazer-uma-parceria e talicoisa. Mas o evento acaba, voltamos para nossa vida de free lancer sem job, de faculdade sem professor, e de pouco tempo pra reencontrar velhos amigos ou se preocupar com design social. Há exceções. Eu sou, ou tento ser uma delas. Sempre que puder vou reservar um cantinho dos meus projetos de flyer pra colocar o bonequinho largando o papel no lixo e o aviso "não jogue este anúncio no chão". Já é alguma coisa, não?
26.7.04 Nunca fiquei tão satisfeito com um teste desses
"You are just like Dr. Hannibal Lecter from Silence of the Lambs. You're intelligent, cultured and have a penchant for classical music, red whine and delicious human flesh. You're also very charismatic, which makes you a hit with the ladies who you'll later date, screw and then cook".
17.7.04 N motivos pra ficar irritado Eu me inscrevo no 14o N Design antecipadamente. (14o Encontro Nacional de Design em Santa Maria). Eu pago a inscrição, que não é barata, pago o alojamento, pago almoços, tudo por uma semana de estadia. Por sorte, eu ouço alguem comentar que "parece que vai ter uma reunião dia tal". eu vou na reunião. Lá eu descubro que há um ônibus, que já está lotado. Descubro que há uma lista de espera. Coloco meu nome em quarto lugar desta lista de espera. Passa-se mais de um mês. Mais de 4 pessoas desistem de ir ao evento, e mais de quatro pessoas que estavam "na espera" pegam sua vaga no ônibus. Eu não estou entre elas. A pessoa em quinto lugar da lista está. A tal lista foi desconsiderada, eu fiquei de fora. Reclamo pro responsável, que durante duas semanas promete me dar a resposta amanhã. Bem, ainda não tive a resposta, e "amanhã" é o dia da viagem. Ainda não sei como eu vou. Disseram que estão dando preferência aos formandos. Eu sou formando. Não estou tendo preferência. Me disseram que houve uma "reunião-almoço" e eu deveria ter ido. O anuncio da "reunião-almoço" chegou aos meus ouvidos assim: "O Fernando vai bancar um churras pra galera!!" No churras, o fernando bebe, a galera pede uma vaga no ônibus e ele dá. Depois, o "churras da galera" vira reunião-almoço e o Guilherme vira o cara que não foi na reunião. Quão conveniente pro professor que mal-organizou a viagem.
Mas amanha eu vou virar o cara que vai aparecer na hora da viagem e vai entrar no ônibus por bem ou por mal. O cara que vai criar confusão, e que se não for, vai pensar em algo terrível como vingança. Terrível. a situação é de Emergência. 14o N-Design: Design Emergente.
14.7.04 is that a mermaid on my fishnet? Ah, e também entorta as costas pra dentro, eu sei que é ruim pra coluna, mas é bom para os olhos, pois coloca o peito pra frente e a bunda pra trás. Já a meia fishnet, por ser uma malha elástica de nós, acaba delineando todo o formato do corpo. Onde ela estica mais, os nós ficam afastados e o volume salta aos olhos. Sim, além de evidenciar, ela também parece aumentar os volumes. É tipo aquelas malhas de softwares pra edição de gráficos 3D. Hmm, boa comparação. Aliás, se desse para aplicar textura em mulheres como nos gráficos 3D, eu aplicava textura de malha em todas.
hell on heels O pop não poupa ninguém. Mas desta vez, a mais nova absorção cultural com fins lucrativos feita pelo mercado consumista, bem que me agradou. Há questão de meses, salto altíssimo agulha, sapato e bota com verniz, só em lojas fetiche-especializadas, ou nos pés de algumas raríssimas atrevidas por aí (ou em filme pornô, claro).
Mas parece que, ultimamente, para satisfação de fetichistas como eu, o fetiche virou moda, ou a moda virou fetiche, ou eu virei fashionista, sei lá. Também não interessa se o fetiche dita a moda ou a moda impõe o fetiche, embora isso rendesse uma boa discussão. O que importa, de imediato, é que em absolutamente qualquer vitrine outrora desprezível de lojas de sapatos femininos, lá estão eles, altos (muito altos), brilhantes (envernizados), pretos, vermelhos, rosas, brancos, curvilíneos, sinuosos, perfurantes, supremos, agressivos, atrevidos, eróticos, pornográficos, atentando ao pudor de quem passa, tanto, que elimina-se todo o resto, basta apenas o salto na vitrine, e a mente se encarrega de completar a imagem com o pé, a perna, a coxa, o chicote e o resto da mulher que não está ali (ãh? eu disse chicote?). Até bota 7/8 de salto e plataforma eu já vi por aí. Graças a Deus (ou ao diabo), com uma ajuda da vigente tendência retrô, a mania do sapatinho confortável que não machuca o pé perdeu a disputa para a estética e para a fantasia. Afinal, o sapato representa muito, e reúne em si muito poder. Feministas perdendo tempo, energia e a própria feminilidade, lutam debilmente por superioridade, e aí masculinizam-se, protestam e gritam, enquanto o triunfo estaria em fazer justamente o contrário: ficar ainda mais feminina; pois ao subir na plataforma curva e calçar a sensualidade, não é necessário gritar, basta que ecoe no silêncio o som hipnótico do pisar do salto, que qualquer homem, que se preze homem, render-se-á ajoelhado.
8.7.04 Ele não gosta de cinema Logo ele, o dono dos cinemas de Pelotas, não gosta de cinema. Quer dizer, de certo modo ele até gosta, considerando que cinema é um bom negócio, principalmente se todas as salas de uma cidade são tuas. Mas cinema pra ele não passa disso: um negócio. Ele não curte cinema. Vamos aos fatos: Ele não sabe o que significa uma data de estréia mundial - Os filmes só entram em cartaz em Pelotas (quando entram), depois que saem de cartaz em Porto Alegre. É que o nosso amigo dono dos cinemas acha mais negócio rodar o filme um mês depois da estréia oficial, já que ele compra a cópia usada de algum cinema de Porto Alegre. Ele deve se achar "o espertalhão do ano", pois assim ele paga mais barato pelos filmes. Desnecessário dizer que o lucro esperado por ele não existe, já que um mês depois um terço das pessoas já foi à capital ver o filme, outro terço pegou o divx na internet e o último terço esqueceu do filme porque ele já não é mais falado na mídia. Isso sem falar que as películas usadas que eles compram já vêm todas sujas e arranhadas, e o filme - que deveria ter "qualidade de cinema" - fica com qualidade de TV sem antena. É irritante, e foi assim com cada Matrix, com cada Senhor dos Anéis, com Kill Bill, e tantos outros que eu não lembro agora. Ele acha que dublado é melhor - Não importa qual o filme, pra mim, dublar é crime. E acho que pra todo bom cinéfilo também. Homem-Aranha 2, no Capitólio, só dublado. Quem quis ver o filme com som original, teve que ir ao Cineart. Não faz muito sentido reservar o melhor cinema, com mais lugares, tela maior e sistema de som melhor, pro filme dublado! Tudo bem, o Cineart não é ruim. Mas Harry Potter só tinha dublado! Como nosso amigo não conhece cinema nem filmes, deve ter pensado "Ah, esse filme aí de criança, filme de monstrinho, vou comprar só o dublado". O sistema é precário - Não dá pra comprar ingressos antecipados. Internet então, nem pensar. Claro, até porque nunca se sabe quando ou se aquele filme vai estrear em Pelotas. E na hora de comprar o ingresso, é preciso saber onde e a que horas queremos ver o filme, pois pra cada cinema/filme/sala/seção, é um ticket diferente. Se você comprou o das duas e aparece lá as nove, tem que contar com a boa vontade de quem estiver por lá pra te deixar entrar. Com tudo isso, eu me pergunto porque o cara não tenta outra coisa na vida. Não há outra conclusão a que se chegue, tão óbvia e evidente: Ele não gosta de cinema! Ele apenas "tem" cinemas! Agora, se você gosta de cinema e quer reverter esse quadro, não hesite em ligar para o Cine Capitólio (53 2223520) todas as semanas perguntando "já estão vendendo ingressoas para o filme [nome_do_filme] que estréia dia [data_mundial_estreia]"?? e ao ouvir a resposta de sempre: "Ah, ainda não, este filme não vai estrar aqui tão cedo, talvez só mês que vêm...", RECLAME! Diga que é um absurdo, diga tudo que eu escrevi aqui nesse post. Faça a sua parte pela cultura dessa cidade.
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