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19.4.04
Issa! yeah-yeah! Musculação. Academia. Esteira. Bicicleta. Paciência. Eu não sou defensor do sedentarismo. Mas depois de anos de tentativas, concluí que realmente não tenho saco pra fazer academia. Simplesmente porque não tem a menor graça, o menor incentivo, e não tem nem objetivo atraente. Me deslocar até um estabelecimento onde eu vou levantar e baixar pesos, levantar e baixar pesos, levantar e baixar os mesmo fuckin' pesos todo dia, é entediante demais pro meu gosto. E os resultados não aparecem. Esse negócio de ficar fortão, pra mim, deve ser uma conseqüência e não o objetivo final. Prefiro jogar futebol todos os dias, andar de skate, correr ou passear de bicicleta, do que me socar em uma academia. Na prática do esporte, do esporte como "jogo" principalmente, o objetivo é mais imediato, e os resultados também. Num jogo de futebol, obviamente eu exercito minhas pernas, mas não preciso me concentrar nisso. Eu me concentro no jogo, nas jogadas, na estratégia, em marcar gols. O objetivo é claro, e o resultado eu saberei dentro de uma hora, quando acabar a partida. Os resultados da musculação? com sorte, daqui a 6 meses meu bíceps cresceu uns 2cm. Um jogo nunca vai ser sistematicamente igual ao outro. Cada jogo uma experiência nova, uma situação diferente. Um dia eu sou driblado, no outro eu driblo. E cada dia um drible diferente. Um dia eu faço um gol na gaveta, outro no meio, outro de pênalti, outro até saio mais cedo, machucado. Enfim, é sempre novidade e é sempre satisfatório, porque os resultados surgem imediatamente: eu chuto e a bola entra. É gol. Eu comemoro. E não é só no futebol; andando de bicicleta eu posso a cada dia fazer um caminho diferente; andando de skate eu tiro manobras variadas. E por aí vai, em qualquer esporte propriamente dito. Na musculação o objetivo é hipertrofiar os músculos. Ok. Mas cadê a diversão? cadê a tática? cadê a graça? Eu vou lá e faço aquele movimento repetitivo e entediante por uma hora, volto pra casa e me olho no espelho, surpresa, estou igual. Terei que repetir o mesmo exercício (que por si só é repetitivo), durante meses e meses, até atingir o meu objetivo. Ninguém tem saco pra isso. É por isso que cada vez mais o pessoal toma anabolizantes e esteróides. Porque querem os malditos resultados de uma vez. Na boa, eu prefiro que leve muito mais tempo pra desenvolver meus músculos, mas que seja de maneira divertida, e que envolva um mínimo de raciocínio, como em qualquer jogo. Afinal, mens sana in corpore sano. E já que citei o latim precursor, pensemos nos primórdios; o esporte é, segundo dizem, o equivalente moderno à caça grupal dos nossos ancestrais. O homem se satisfaz praticando esportes porque satisfaz na verdade o seu instinto caçador. Então o esporte, recapitulando, além de ser divertido, satisfatório, e de trabalhar o raciocínio, é ainda instintivo e natural. Eu duvido que o homem das cavernas se prestasse pra levantar e baixar pedregulhos durante duas horas, três vezes por semana.
Da fofoca e outras mediocridades Eu realmente fico impressionado ao ver como algumas pessoas desperdiçam preciosos minutos dos seus dias para se dedicar à especulação da vida alheia. E me impressiono mais ainda ao ver como é grande o número de pessoas que praticam este... esporte? Eu precisaria de muita força de vontade e determinação (e saco) pra deixar de fazer as minhas coisas, cuidar dos meus planos e projetos, pra descobrir a última do vizinho, e me deslocar até a casa do vizinho do outro lado pra repassar a notícia, quase sempre, duvidosa. É deprimente como as pessoas que fazem isso deixam de canalizar suas energias para o seu próprio viver, e as desperdiçam especulando a vida dos outros (normalmente a dos que cuidam de si próprios e realizam coisas). Talvez as pessoas que vivem de fofoca, na verdade, tenham inveja daqueles que conseguem cuidar da própria vida, que pensam, projetam, sonham e realizam, progridem. Gostariam de ser como eles, e por isso os observam e cuidam e falam deles. Não é aquela inveja saudável que te faz trabalhar pra chegar onde o outro chegou, mas aquela invejinha medíocre, que leva os incapazes a quererem arruinar a obra dos capazes. Mas é justamente essa inveja que os leva a se tornarem fofoqueiros e especuladores, sem tempo pra cuidar da própria vida, e assim acabam presos neste deprimente ciclo de mediocridade.
17.4.04 unfortunately, no one can tell you what the mEatrix is; you have to see for yourself... Click here to take the red pill.
13.4.04 Pigware ® Software, Hardware, Freeware, Shareware, Adware, Spyware. Parecia não caber mais definições, mas eu acabo de criar mais uma, ou melhor, três: o Pigware, o Dirtware e o Cleanware. Pigwares são os programinhas porcos que sujam o computador, deixando restos e largando lixo por onde passam. Um bom exemplo de Pigware é o Kazaa. Trazer o Kazaa pra dentro do PC é como trazer um porquinho pra dentro de casa. Quem instala, acaba com o PC todo sujo. Basta abrir o navegador e surgem umas 3 ou 4 barrinhas de "navegação rápida". São tantas barrinhas novas que quase não sobra espaço pra aparecer o site. Além disso, pigwares como o kazaa trocam a tua página inicial, abrem popups, inicializam programinhas (os Dirtwares) ao lado do relógio e adicionam ícones à desktop. Já o Emule é um exemplo de Cleanware. É como um cachorrinho de estimação super treinado e comportado. Só faz xixi no lugar certo, não late, não deixa sujeira por onde passa e realiza suas tarefas diárias sem reclamar ou chamar a atenção. Tu instala ele no teu pc, ele não se espalha, não vai além da pasta designada, não instala dirtwares pelos cantos, não altera a desktop nem o navegador, fica quietinho na tray fazendo teus downloads sem encher o saco. E quanto é fechado, ele se fecha mesmo. Só se ouve falar no emule a próxima vez que se abre o programa, voluntariamente. O Kazaa que é mais velho deveria dar exemplo. Que feio sr. Kazaa, quanta bagunça, quanta sujeira. Olha só como o Emule é comportadinho. Vovô Napster, se fosse vivo, não gostaria nem um pouco...
6.4.04 X-Men 27... X-Men 27... hmmm não, ainda não saiu. Enquanto eu procurava na seção de quadrinhos, capto a palavra "canhoto" no ar. Presto atenção na conversa: o velho senhor barrigudo falava alguma coisa para a dona da banca, sobre canhotos escrevendo com a mão direita. O assunto me interessa e eu me viro e digo "desculpa me intrometer no assunto mas eu escrevo com a esquerda... qual é a história?" "Eu também escrevo com a esquerda, e o meu filho também" disse uma mulher que vasculhava a seção das revistas de fofoca. "Eu dizia", entoou o velho, levantando um dedo, "que o cérebro ele é invertido, nãm? o lado direito controla o lado esquerdo e o lado esquerdo controla o lado direito" e ele fazia um X com os dedos e falava com propriedade, como se aquilo fosse uma grande novidade. A dona da banca, uma imbecil, acenava com a cabeça, maravilhada. "E é preciso haver uma harmonia entre os lados do cérebro..." Quando entrou a história da harmonia, eu já fiz cara feia. Aï eu percebi a revistinha de assuntos místicos na mão do velho. A coisa chegou no auge quando o velho disse "Então é interessante que o canhoto, vez por outra pratique escrever com a mão direita, pra estimular corretamente o lado esquerdo do cérebro, e evitar assim doenças como o Alzheimer". Eu não sabia se ria ou chorava, de alegria é claro, pois hoje eu estava extrovertido o bastante pra cagar na cabeça daquele tio. Antes de sair lascando, fiz uma última pergunta: "Então o oposto também é verdade? O senhor, como destro, escreve com a mão esquerda pra treinar?" "Não" levantou o dedinho denovo "pois o destro já estimula tudo". "Isso é a maior bobagem que eu já ouvi em toda a minha vida". O velho ficou tão surpreso que não respondeu nada, só arregalou os olhos. "Em primeiro lugar, parabéns, o Sr. descobriu a cura do Alzheimer. E em segundo lugar, não existe isso de harmonia. O cérebro não precisa de harmonia nenhuma. As pessoas nascem sem harmonia. Não se escolhe ser canhoto ou destro, não se escolhe ser mais racional ou emocional. E não é de forma mecânica que se estimula os dois lados do cérebro. Não é escrevendo com a outra mão. Basta estudar matemática num dia e ler poesia no outro que se estará estimulando os dois lados do cérebro. Harmonia importante é do corpo com a mente, não adianta só ler e virar um obeso, nem fazer musculação e não estudar. Agora, isso aí de equilíbro das metades do cérebro, de canhoto escrevendo com a mão direita pra evitar Alzheimer é a maior idiotice que alguém poderia dizer. E tu é outra idiota indo atrás dessa história" terminei, apontando pra vendedora e me retirando da loja. Até a hora que eu saí pela porta eles continuavam lá, congelados. Lembrei do Homem de Gelo, que estava morrendo na X-Men 26, motivo que me levou até aquela banca, procurando por X-Men 27.
A Paixão de Cristo Até agora só se ouve gente dizendo que é violento, forte, explícito, que saiu no meio do filme com a pressão alta/baixa vomitando e desmaiando e blááá, blááá, bláááááá. Violento? Talvez, mas não a um nível que já não tenha sido atingido ou ultrapassado por qualquer outro filme "violento". Forte? Explícito? Tem muito sangue. Eu ainda vou descobrir de onde sai essa mania das pessoas de não poder ver sangue. Todo mundo tem litros de sangue no corpo. Tem também urina e saliva. Mas é só enxergar o sangue que tem um treco. Se derramarem tinta vermelha e disserem "é sangue", desmaiam do mesmo jeito. Acham menos nojento fungar e engolir o ranho do que assoar o nariz na frente dos outros. As pessoas precisam ver as coisas pra se comover, não basta saber delas. E nesse ponto o filme é irônico: Uma pá de crentes que gostam de criticar os céticos, que se acham superiores por "acreditar sem previsar ver", passa mal no cinema e vai embora. Porque viu. Viu a tão defendida Verdade. Só que numa versão sem cortes, como seria a missa de domingo. Uma versão sem o padre boiola vestido de branco cheirando a sabonete infantil numa igreja calminha e limpinha, pregando o amor ao próximo. Um povo pobre, suado, fedido, num ambiente feio, um Jesus arrasado, lavado de sangue, acorrentado a um tronco e um brutamontes com cara de cafajeste descendo o laço com um sorrisão na cara. Ora, eu, com toda a minha descrença, assisti tranquilamente o filme porque já sabia o que me esperava. E deveriam saber muito melhor do que eu, deveriam estar bem mais preparados, aqueles que crêem em tudo isso sem nem mesmo ver. Estariam indo preparadíssimos ao cinema, pois a fé é forte. Ou não? O filme coloca a fé à prova. O crente chega no cinema e fica desconfortável, incômodo, e foge no meio do filme, de volta para o seu conto de fadas. A sua fé cega só existe enquanto cega. Ao ver a realidade, ele a nega... não era bem isso que esperava encontrar? então não era bem nisso que acreditava. Tem também um outro fator: As pessoas aumentam a coisa, porque é com Jesus. Se fosse eu apanhando ali, não teria tanta polêmica. Se fosse um escravo arrastando um bloco de pedra gigantesco, tocado a chicotadas, pra construir a pirâmide do imperador, não teria tanta polêmica. Nem a cena da polícia carioca matando um cara inocente atrás da Kombi (que passou no JN e pode ser achado no kazaa com as keywords "Brazil bad cops") causou tanta polêmica. Mas como é em cima de Jesus, que horror, que "judiaria". Acontece que esse é um raciocínio invertido: Jesus só é a lenda que é, porque passou por tudo aquilo. Se Jesus não tivesse incomodado, protestado, pregado, apanhado, morrido e, hmm, ressucitado, não se tornaria a lenda que é hoje, e portanto ninguém ficaria tão abalado ao vê-lo apanhando, morrendo, etc... Agora, vamos ao filme, como um filme que é. A começar pela minha opinião: chato, bonito e bem produzido. Chato? É, chato. Imagina um cara dizer que vai contar de "um a dez". Aí ele começa: "um vírgula zero zero zero um; um vírgula zero zero zero dois; um vírgula zero zero..." O filme é assim. Pegaram um pedacinho de uma história maior e esticaaaaaaram. Como já se sabe a história de cor, fica chato. Bonito? É bonito. Pra começar, vamos assumir agora um conceito mais profundo de beleza, considerando o filme como uma obra de arte. Se você acha que beleza é simplismente o que é feliz, e que uma cena violenta nunca pode ser bonita, vá embora, esse post, nem qualquer outro desse blog serve pra você. Voltando ao filme, ele é bonito. Âgulos diferenciados de câmera, fazem cenas fotográficas, como a que a câmera é muito baixa e só aparece o tronco com as mãos de Jesus em cima, e os soldados romanos atrás, chicoteando o corpo invisível de Cristo e o sangue jorrando pra cima; ou a cena vista de cima, com a câmera perpendicular ao chão, onde o vermelho do sangue contrasta com o chão branco e o manto preto de Maria. E o latim. Você deve achar que eu deveria falar do latim na seção do "bem produzido", mas não. O latim é bonito. Latim falado fluentemente, é incrível. Bem produzido. Além dos idiomas originais, uma boa edição e montagem: Close no pé do soldado sujo de sangue durante as chibatadas; corta para a cena do lava-pés de Jesus e os apóstolos; corta de volta para o açoitamento. Jesus cai carregando a cruz e Maria vem a seu encontro; corta para cena de Jesus caindo quando criança e Maria vindo igualmente a seu encontro; corta de volta para a via-crucis. Bons efeitos visuais: Do chicote abrindo a pele à pupila se dilatando quando Cristo morre. Ponto para o Mel Gibson em duas coisas bem resolvidas no filme: Satanás e a Ressurreição. Satanás é difícil. Vilões são difíceis. Heróis são barbada. Seja Jesus, Neo ou o Superman, são fáceis. Difícil é um bom Satanás, Smith ou Lex Luthor. Poderiam ter estragado o filme colocando um monstrinho com guampas. Mas sabiamente foi criada uma figura intrigante, andrógina, de olhar profundo, ao mesmo tempo gélido, assustador, mas sedutor e hipnótico. Quanto à ressureição, nada de luzes e efeitos espalhafatosos: Conforme o manto que cobria o corpo vai perdendo o volume, a câmera se afasta, até passar pelo próprio Cristo que já está ali ressucitado. Ele levanta e sai andando, confiante. A música "tchan-tchan-tchan" ajuda a deixar a cena mais arrepiante, no bom sentido. A qualidade do som é boa, me lembrou Gladiador, mas a trilha sonora, a não ser na cena da ressurreição, é um porre. Ponto negativo também para os figurantes, que pareciam débeis mentais.
Você sabe o que é trabalhar em cima de um bom post por uma, talvez duas horas e ele sumir porque a seção expirou, porque o Ctrl+C não funcionou, e porque essa MERDA DESSE BLOGGER TEM UMA JANELINHA QUE GUARDA O POST PRA TI, MAS QUE NÃO FUNCIONA???????? NÃO! VOCÊ NÃO SABE PORRA NENHUMA! EU É QUE SEI. EU É QUE SEI. REDE GLOBO: VAI TOMAR NO CÚ. TUDO QUE VOCES FAZEM É UMA MERDA, NÃO FUNCIONA, E SÓ SERVE PRA MANIPULAR O POVÃO, BANDO DE FILHO DA PUTA. O ROBERTO MARINHO ERA UM FILHO DA PUTA. ME PROCESSEM.
3.4.04 By the way, why da hell is it forbidden, for Marley's sake?
"O relógio anda devagar, as preocupações desaparecem, o corpo relaxa, o trivial fica engraçado. O pensamento salta de idéia em idéia, uma mais genial do que a outra. Depois dá fome. Tudo fica gostoso: molho de tomate pronto, pizza de ontem, sorvete derretido. Após algumas horas, o barato vai embora como chegou: devagarinho. No mundo inteiro, 147 milhões de pessoas experimentam essas sensações regularmente". Revista Playboy - Março 2004
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