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31.3.04
These guys are good!
25.3.04 Pela ciência e pela Arte...
Yeah, RIGHT!!
15.3.04 Por uma valorização mais digna da tecnologia "Implantes biônicos". Quando ouvimos este termo, pensamos normalmente em ficção científica, em coisas futurísticas e inexistentes. Mas analisando mais calmamente a idéia, perceberemos que esta já é uma realidade com a qual convivemos há um bom tempo sem percebermos. Pernas e braços mecânicos, aplicações de silicone, tintura e tratamentos especiais para os cabelos, lentes de contato, dentaduras, unhas e cílios postiços, coração artificial, etc. Tente pensar em todas as partes do corpo que podem ser substituídas ou modificadas pela tecnologia. Agora pegue tudo isto e imagine aplicá-las todas na mesma pessoa. E agora responda, você acha mesmo que estamos tão longe da era dos ciborgues e andróides dos filmes e livros de ficção científica? Se os cientistas resolverem criar um pequeno aparelho que realiza o trabalho de um neurônio, apenas um (o que certamente não é impossível de ser feito hoje em dia, difícil seria conectar este aparelho aos neurônios "verdadeiros"), e forem substituindo os neurônios de uma pessoa, um a um, por estes aparelhinhos, onde exatamente esta pessoa deixa de ser uma pessoa e passa a ser um robô? Essa é uma questão que certamente se ramifica em várias outras e nos faz pensar e rever nossas conceitos de tecnologia, futuro, ficção, robótica, etc. Não é querer assustar ninguém, mas o futuro "cyberpunk" está muito mais próximo do que imaginamos. E quando ele for uma realidade completa, ainda assim vai levar um tempo para percebermos. Aliás, só falta o punk, cyber já é realidade. Ora, pare pra pensar um pouco a respeito desse aparelhinho no seu bolso, chamado telefone celular. Telefone? Uma coisa minúscula, sem fio, completamente móvel, desconectada, livre, auto-suficiente, que tem relógio, despertador, jogos, capta e transmite voz, imagens, músicas, vídeos, manda e recebe e-mails, acessa internet... só falta fazer cafezinho. O meu primeiro PC tinha um disco rígido de 200MB. Hoje eu tenho uma coisinha que eu tenho até medo de perder, de tão pequena, chamada "Memory Stick", que contém dentro de si, um espaço virtual de 512 MB. Antigamente ligar ou desligar um aparelho no outro era um Deus-nos-acuda, tinha que chamar o técnico. Hoje tudo é "USB Hot-Swap Plug&Play". Não precisa nem desligar os aparelhos, e tudo é cada dia mais compatível. Eu ligo e desligo minha câmera no meu PC, que tá ligado no meu som, que tá ligado no vídeo cassete, que tá ligado na TV, que tá ligado no DVD, que roda CD's de mp3 que eu mesmo cato na internet e gravo em casa. Bizarro. E por aí vai, pense você mesmo em mais exemplos, no vestuário, no automobilismo, no esporte, na guerra, na medicina, etc. Pegue livros de ficção de 20 anos atrás e tente achar alguma coisa que não exista hoje. Pense nas pequenas tecnologias do dia a dia, como o seu cartão de crédito, o porteiro eletrônico, o alarme da casa ou do carro, os códigos de barras por aí afora. Tente agora responder a pergunta: "O que é que falta nesse contexto, afinal, para que eu possa concordar de vez que o futuro chegou, que eu já estou vivendo numa era 'cyber' ?" Pra mim, não falta nada. Há 14 anos atrás a maioria dessas coisas já existia, mas sozinhas não tinham muita serventia. Faltava um elemento que permitisse a conexão entre todas as coisas, do carro à geladeira, do telefone ao relógio. É evidente que foi a senhora Internet quem resolveu este probleminha. Hoje tudo pode ser conectado a qualquer coisa, via Internet. Falando assim parece mei clichêzão, redaçãozinha de vestibular sobre globalização que começa com "no mundo em que vivemos...". Mas o que eu tô tentando dizer aqui é mais que isso. Mais do que uma simples descrição óbvia da atualidade. Tô tentando dizer é que a tecnologia é hoje tão absurda e banalizada, que não consideramos a dimensão dessa coisa, o ponto a que chegamos; o ponto onde tudo é possível. As limitações não são mais tecnológicas, apenas financeiras. Uma criança de 9, 10 anos com um celular na mão, tirando fotos e mandando na mesma hora pros seus amiguinhos em outra cidade; Mais do que popularização, isso é boçalização da tecnologia! Não que eu ache ruim, mas essa criança desfruta hoje da tecnologia sem ter a noção correta do seu significado histórico. Evidentemente minha indignação não é com a criança, pois ela não teria como saber, mas sim com aqueles que têm a mesma idade que eu e são tão ingênuos nesse ponto quanto a própria criança. Eu acredito que esteja na hora de começar a incluir esse tipo de análise no ensino e na formação escolar. Alguma matéria que analise historicamente a tecnologia, ou o avanço científico e seus reflexos no cotidiano. Uma boa noção histórica neste contexto, pode ajudar a formar cidadãos com uma visão mais apurada do futuro. Eu me sinto privilegiado por ter acompanhado o surgimento da internet, por exemplo. Acho que é mais interessante para mim do que para as crianças que nasceram depois. Assim como a televisão é muito mais surpreendente pra minha avó do que para mim - apesar de que, modéstia a parte, eu acho que tenho uma boa noção para estas coisas. Mas eu não me arrisco a fazer previsões para o futuro, não me sinto seguro pra isso. A única coisa que eu posso prever é que, daqui a dez, mil ou quinhentos mil anos, nada substituirá o papel higiênico, que permanecerá igual e no mesmo formato que se manteve até hoje, desde a sua invenção.
Morte real, vida virtual, realidade virtual, virtualidade real, desconexão real, morte virtual... Estava eu viajando comigo mesmo, como de costume, acerca de algumas questões filosóficas modernas, como a realidade virtual. Mas não, não necessariamente uma realidade virtual Wachowskiana. Pensemos mais simples... o IRC. O IRC é uma realidade virtual, precária, mas é. Afinal o termo "realidade virtual" não significa necessariamente uma realidade igual à nossa, nem parecida. No IRC cada pessoa real tem o seu correspondente virtual, com a saborosa vantagem de que cada um é o que gostaria de ser (felizes aqueles que se contentam com um nick que é o próprio nome, pois estão plenamente satisfeitos consigo mesmo - ou tristes, por terem uma certa dificuldade se libertar da realidade... whatever). Ali temos a representação virtual de cidades, bares, clubinhos e salinhas privadas. E uma lista, de fácil acesso, de todos os "presentes". E aí entra a questão... aquelas pessoas estão ou não estão presentes? uma sala virtual, é, afinal, um "lugar"? Seria uma sub-realidade, uma vez que a existência de um mundo virtual depende necessariamente da existência de um mundo real? Não, eu não vou responder todas estas perguntas aqui. Mas foi chegando nesta última, que eu passei pra mais sensacional de todas as questões: E se um cara tiver conectado no IRC, e... morrer? O cara morre por uma eventualidade qualquer, e o nick fica lá. Temos aí o caso da sobrevivência virtual. O ser real morreu, mas o seu "representante oficial" no mundo virtual, permanece ativo. Deixando de lado as questões mais imediatas como "será que de alguma forma ele pode ser considerado vivo?" a pergunta mais incômoda de todas é: Quem teria coragem pra realizar a dura missão de desconectar o mirc do cara? Desligar de vez o último resquício de existência de uma pessoa? "Existência" talvez não seja a palavra certa, pois tem toda uma discussão filosófica por trás, se o mundo virtual, afinal existe ou não existe, etc.. colocando melhor a questão: quem desligaria de vez o seu último resquício de atividade, de presença? quem escreveria o último quit? até onde isso não é a mesma coisa que desligar os aparelhos de uma pessoa em estado vegetal sem chances de retorno? De certa forma, enquanto o nick permanecesse on-line, não seria uma sobrevida, mesmo que improdutiva? Pense você a sua resposta. Eu só provoco a discussão.
12.3.04 Tarantino nunca é demais A notícia ruim é que ele desistiu de filmar "The Vega Brothers". Só pra relembrar: Vic Vega de Reservoir Dogs era irmão do Vincent Vega de Pulp Fiction. Tarantino prometeu um filme cuja história se situa antes de Pulp e Dogs (porque os dois personagens morrem em seus respectivos filmes). Esse filme seria chamado The Vega Brothers. Mas... ele desistiu. Desistiu porque demorou muito pra escrever o roteiro e John Travolta e Michael Madsen acabaram envelhecendo. Mas a notícia boa(?) é que Tarantino mencionou o seu interesse em filmar uma continuação pro Pulp Fiction. Eu não duvido da capacidade do cara, mas acho que não seria bom ele mexer em coisa que já deu certo e acabar estragando um clássico. A verdade é que Tarantino quer mesmo é incluir John Travolta de algum jeito em algum filme. Tentou em Kill Bill mas não achou o personagem certo. O próximo filme de Tarantino se chamará Glorious Bastards, ambientado na Segunda Guerra Mundial, e também não teve espaço para Travolta. Existem rumores sobre um certo filme em torno de um desastre de avião, e seria nesse filme que entraria John Travolta. Mas isso deve demorar, pois além do Glorious Bastards, Quentin Tarantino já está escrevendo prelúdios e continuações para Kill Bill. Divirta-se aí com algumas declarações de Tarantino himself que eu catei na web: "[The Vega Brothers] é algo que eu sempre planejei fazer, mas outros projetos tinham preferência. Dez anos depois, John Travolta está ficando velho e Michael está ficando velho. Eu não acho que eles gostariam de realizá-lo. Mas isso não significa que os fãs precisam perder a esperança de ver mais de Vic ou Vincent Vega. Tenho uma idéia para uma seqüência de Pulp Fiction. Continuações geralmente são uma droga, então isso não é algo que eu esteja com pressa para fazer. Mas o estúdio quer isso, os fãs querem isso e eu tenho certeza que poderei dedicar-me a ele no futuro. Seria o meu pedido de desculpas por nunca ter realizado Vega Brothers, eu acho"; "Podemos trazer de volta John Travolta, Michael Madsen, Samuel L. Jackson e Tim Roth... voltariam todos. Seria muito interessante ver o que aconteceu com Jules e seus planos de 'viajar o mundo'. Ei, só juntar Michael e John na mesma tela seria ótimo. Eles são ótimos. Mas eu ainda preciso escrever algo assim"; "Eu tenho pensado em prelúdios e seqüências [para Kill Bill]. Tive uma idéia ótima, que é esperar uns 5 anos e lançar uma continuação, na qual a Noiva (Uma Thurman) não será a personagem principal. A protagonista seria a filha de Vernita Green (Vivica A. Fox) [é preciso ver o filme pra entender. Mas lendo meu post anterior dá pra deduzir quem é]. Ela se passaria 15 anos no futuro e a Noiva estaria numa cadeira de rodas". A partir do dia 19 de março Kill Bill entrará em cartaz no Brasil (o que, como todos sabemos, não quer dizer que entrará em cartaz em Pelotas). Por um lado eu fico feliz que Tarantino esteja se dedicando a um novo universo, o de Kill Bill. Por outro, eu fico realmente triste de saber que o projeto "The Vega Brothers" foi pro espaço, e que este universo tenha sido esquecido e resumido a apenas 2 filmes (Cães e Pulp).
Rá. Uma cena bizarra que eu n tinha visto no Kill Bill: uma paródia escancarada à cena da luta entre o Neo e os milhares de Smith no Matrix Reloaded.
11.3.04 Tarantino strikes again! Se ninguém sabe onde o Tarantino havia se metido desde Pulp Fiction, eu descobri: ele tirou férias no Japão. E leu muito mangá! E assistiu cavaleiros do zodíaco. Bom, vamos ao que interessa: eu vi Kill Bill. Confesso que fiquei apreensivo... será que meu diretor preferido vai me decepcionar? será que ele conserva o estilo consagrado de Jackie Brown, Reservoir Dogs e Pulp? as respostas foram, respectivamente "não" e "não... mais ou menos". A melhor definição de Kill Bill seria dizer que é um desenho animado japonês, filmado. Mas a coisa é japonesa mesmo, mangá mesmo. As cenas de luta são uma homenagem aos cavaleiros do zodíaco: o ritmo, os ângulos de câmera, a trilha sonora, a coreografia, tudo. Sabe nas lutas dos mangás quando os combatentes ficam paralizados por horas se olhando, e a câmera em um zoom ultra-lento, ou um close nos pés de um dos personagens, e vai subindo, lentamente, passa pelo fio da espada e pára nos olhos com os cabelos esvoaçando sem parar? E meia-hora depois um deles parte pra cima do outro, ultra rápido, mas na tela tudo acontece muuuuito lentamente, e aí zupt! alguém foi atingido. Um breve suspense até o sangue começar a jorrar e o lutador cair todo "fatiado" no chão? É assim no Kill Bill. Sem falar que um bom pedaço do filme é desenho animado mesmo. No mesmo estilo do Animatrix "The Kid". Não conferi, mas provavelmente foi o mesmo desenhista. E onde está o que sobrou de "Tarantino" nesse filme? Eu diria que está na ironia. Kill Bill não apenas usa elementos de mangá, animações e efeitinhos de Matrix: ele brinca de usar esses elementos. Melhor ainda, ele os ironiza. No exagero, chega a ser sarcástico. Nada mais Tarantinesco do que o sarcasmo. Também sobrou de Tarantino a "ultra-violência(-sarcástica)": Um belo subúrbio americano, uma bela casa de família, tudo muito colorido, a mãe servindo os cereais matinais pra filha de uns 7 aninhos, de repente atira contra outra mulher usando uma arma escondida dentro da caixa de cereais, a bala estraçalha um armário de vidro cheio de louças; a outra mulher, no melhor estilo Trinity, chuta em câmera lenta uma xícara de café e em seguida arremessa um punhal que se enterra com precisão no peito da adversária. Muito vidro quebrado, leite e cereais espalhados pelo chão e a menininha ainda com sua mochila multi-colorida nas costas, recém deixada em casa pelo ônibus escolar, parada na porta observando a mamãe morta esparramada no chão da cozinha com uma faca no peito, o sangue se misturando com o leite com sucrilhos pelo chão da cozinha. Isso é mais do que uma cena de luta coreografada em japonês. É uma banalização irônica da nova moda cinematográfica. É colocar aquilo que todo mundo tá gostando de ver, de uma maneira que ninguém quer ver. De tão exagerado, critica o próprio exagero da orientalização dos filmes, onde até uma mamãe em um Mc-subúrbio-feliz americano é uma perita em kung-fu. Kill Bill me pareceu, no trailer, uma porcaria comercial, o Tarantino se prostituindo pro "sistema" porque o dinheiro que ele ganhou com Pulp Fiction estava acabando. Mas ele me surpreendeu mais uma vez, fazendo um filme que, por um lado utiliza com seriedade, valoriza e respeita a verdadeira arte do mangá, e por outro faz paródia com o próprio cinema americano. E ele faz isso elevando todos os níveis ao absurdo, transformando tudo em caricatura, como a cena descrita acima, como um médico que por 75 dólares te arranja um momento a sós com uma gostosa em coma há 4 anos no leito do hospital, chamado "Buck" ("...and I'm here to fuck") e que dirige um carro chamado "Pussy Wagon"; ou uma loira vilã caolha que usa tapa-olhos temáticos, ou ainda a órfã metade japonesa/metade chinesa-americana que viu o pai ser assassinado por membros da Yakuza e jurou vingança, ou finalmente, a garotinha oriental-colegial-safada. Em outras palavras, Tarantino fez uma caricatura dos principais estereótipos clássicos e modernos do cinema americano, e, pra ironizar a salada comercial que eles fazem quando pegam pedaços de outras culturas e as transformam em pop (sendo o Japão a vítma preferida atualmente), os destrói no melhor estilo "South Park": violento demais, gratuito demais. De propósito. E paralelo a isso, colocou cenas bastante orientais (como as lutas à là Cavaleiros do Zodíaco) onde não há ironia. Como quem diz "essa aqui é a merda que vocês fazem, e isso aqui é como deve ser feito". Quanto à edição e montagem do filme, Tarantino ainda é Tarantino e portanto a história é fragmentada em historinhas curtas, apresentadas obviamente fora de ordem cronológica. Uma certa nostalgia ao Pulp-Fiction, com as letrinhas amarelas e o título de cada capítulo em letras brancas sobre fundo preto. E uma certa ironia a si mesmo, pelo exagero na fragmentação da história (além da divisão em capítulos, alguns capítulos são subdivididos em partes. Sem falar que a história completa são dois filmes, Kill Bill 1 e 2). A trilha sonora mais uma vez é fantástica, está para Kill Bill como a trilha de Pulp Fiction está para Pulp Fiction. Eu senti falta mesmo foi dos diálogos. Os maravilhosos diálogos do Tarantino, onde os personagens conversam por um bom tempo sobre coisas que não têm necessariamente a ver com o assunto do filme. Senti falta também das brincadeirinhas tradicionais de fazer referência à outros filmes ou à personagens de outros filmes. A única coisa que eu encontrei foi uma cena onde a Uma Thurman faz o "square" no ar, igualzinho ao Pulp. Mas pra quem é fã do cara, como eu, não dá pra não se arrepiar quando aparece na tela "The 4th film by Quentin Tarantino". Guy Ritchie, meu caro, agüenta mais um pouco, porque o mestre ainda não se aposentou. ;) ((( ))) - Soundtrack - Pulp Fiction Theme :~)
6.3.04 Sabe no Matrix, quando o Neo começa a perceber que tudo na volta é um programa, e começa a ver tudo como códigos de lógica? Ou quando ele conversa com personificações de programas dentro da Matrix, inteligências artificiais como o Oráculo ou o Arquiteto? Pois veja estes trechos do Neuromancer: (neste trecho o personagem chamado Case está em um ambiente virtual, a Matrix, um simulacro de praia e conversando com uma inteligência artificial que aparece na Matrix como se fosse uma pessoa. A palavra "constructo" significa a versão virtual da pessoa dentro da matrix, correspondente à "auto-imagem residual" do filme) -Conheço você - disse Case. -Não - disse o rapaz -, você não me conhece. -Você é outra I.A. Qual seu nome? Seu código Turing? (...) -Para invocar um demônio é preciso saber o nome dele. Os homens já sonharam com isso, mas agora é real, em outro sentido. Um sentido que você conhece bem, Case. O seu negócio é saber o nome dos programas, os nomes longos e formais, os nomes reais... -Contar seu nome não vai comprometer você. (...) -Neuromancer. A passagem para a terra dos mortos, onde você está, meu amigo. (...) Neuro de nervos, Romance, Necromante... eu trago os mortos de volta. Eu sou os mortos e a sua terra. Fique. Se a sua mulher é um fantasma [virtual], ela não sabe disso. E você também não saberá. -Você está quebrando. Seu sistema está se desfazendo. (...) Na visão de Case se sobrepunham hieróglifos fantasmas, linhas translúcidas de símbolos contra o fundo da parede neutra (...). Olhou as costas da mão e viu moléculas de luz neón circulando sob a pele, ordenadas em um código irreconhecível. Moveu a mão na frente dos olhos. Ela deixou uma trilha de pós-imagens estroboscópicas. (...) E a consciência de Case fragmentou-se sobre a praia sem fim e de nuves prateadas. (...) Todas as coisas podiam ser contadas, uma a uma. Ele sabia agora o número de grãos de areia no constructo da praia (um número codificado que só existia na IA chamada Neuromancer). Sabia o número de dentes da metade esquerda do zíper aberto de seu blusão (...), sabia a taxa de pulsação do constructo de Linda, o comprimento de sua passada com precisão total. -Viver aqui também é viver, Case. Não tem diferença... [disse Neuromancer] (...) -E agora? -Não sei, Case. Esta é uma questão que a própria Matrix está se colocando esta noite. Porque você venceu. (...) Daqui a pouco, eu vou morrer, num certo sentido. (...) Case sentiu que o tecido de informação começava a se esgarçar. (...) Case atingiu um nível de eficiência que transcendia tudo o que ele conhecia ou tinha imaginado. Para além do ego, para além da personalidade, para além da consciência, ele se moveu, (...) iludindo os atacantes como uma dança, a graça de interface mente-corpo que lhe foi concedida (...). Floresta de neón, chuva sibilando no chão escaldante (...), tudo agora estava retrocedendo, a paisagem urbana também retrocedia (...). -E então, quem é você? -Sou a Matrix, Case. Case riu - E aonde isso leva você agora? -A nenhum lugar, a todos os lugares. Sou a soma total das coisas, o show inteiro.
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