27.2.04

Do fechamento dos bingos...

Um dia o Lula chega em casa e encontra a mulher no maior love com o Ricardão, em cima do sofá da sala.
O que ele fez?
Vendeu o sofá.

Comentários: Power 3:05 AM



23.2.04

Eu preciso ler mais rápido. Eu vejo as pessoas devorando páginas em segundos; eu não consigo. Até consigo, mas parece q fica muita coisa pra trás. Eu leio mais rápido um livro de filosofia do que um romance ou uma ficção. Isso porque um livro de filosofia geralmente descreve raciocínios e lógicas que eu vou montando na cabeça simultaneamente à leitura. Já um livro que conta uma história exige imagens. E eu demoro um pouquinho pra criar as imagens na cabeça. E eu tenho uma mania de ficar lendo repetidas vezes uma linha ou parágrafo. Não porque não entendi, mas porque foi boa e eu resolvi ler novamente, porque o jeito que foi composta a frase me agradou e eu leio denovo pra me agradar denovo. O negócio das imagens, talvez seja um problema derivado dos quadrinhos. Eu leio muito quadrinhos, que já me dão a imagem pronta - e ainda tem a graça de ficar estudando o traço do artista, o que não tem nada a ver com o assunto de agora mas eu quis falar. Mas o que atrasa mesmo a leitura de um romance é a voz e o cinema. Começando pela voz: num livro didático, documentário ou filosófico, não interessa a voz do narrador; eu leio com aquela voz interior que todo mundo tem, que lê os livros pra gente. Essa voz todos sabemos que é bem mais rápida, pois ela não lê realmente todas as palavrinhas; as idéias vão direto pra cuca. Mas num romance existem cenas, cenários e personagens diferentes uns dos outros. Isso agora talvez seja por causa do cinema - eu não consigo captar a idéia direto pra cuca do personagem quando ele fala; eu preciso imaginar a cena, vê-lo falando, e com a voz dele. Que não pode ser a mesma da outra personagem, obviamente. Isso toma tempo. Mas o pior de tudo - e isso eu tô tentando eliminar - é que por causa do maldito cinema eu ando raciocinando em inglês. Se eu leio um livro que poderia claramente ser um filme, eu tenho uma bizarra tendências de ler o livro em inglês, mesmo que ele seja escrito em português. Vou lendo e traduzindo, e imaginando os personagens falando em inglês o que está ali escrito em português. E não é só na leitura, tem horas que eu penso em inglês e não consigo achar expressões pro que eu quero dizer na hora, em português. Ou até acho, mas não parecem ter o mesmo encaixe. Esse pacote de ruffles tá uma delícia, e meu teclado ta ficando todo engordurado.

Comentários: Power 3:22 AM



Can I play with madness?

Essa linha tênue que divide a loucura e o excesso de lucidez. A loucura está embaixo e a lucidez está no alto... e a única forma de subir é uma rampa, que na verdade é uma gangorra de playground. Até onde eu consigo subir sem inverter a gangorra? Às vezes eu queria pensar menos sobre as coisas, filosofar menos sobre cada detalhe. Talvez nem exista loucura e lucidez, assim como não existe bem e mal. Talvez seja tudo uma mistureba, tudo uma loucurama. De vez em quando minha cabeça insiste em raciocinar contra a minha vontade; minha mente contra eu mesmo, e ela fica pensando e desdobrando conclusões lógicas em zigue-zague, e eu me irrito comigo mesmo, com esse monte de moscas de raciocínio zumbindo na minha cabeça. Se não é uma gangorra, então é uma bolha de sabão. Quanto maior a bolha, mais longe foi a filosofia, mais realidade. Hiper-realidade. E cada vez mais fina fica a superfície da bolha. E tudo cada vez mais banal, até estourar, e aí é o lado de fora, é a loucura, que é a lucidez em excesso.

Uma das maiores sagas das HQ's da Marvel foi a história do Massacre. Massacre era um vilão ultra-poderoso, resultado da personificação de todo o mal contido durante anos dentro do bondoso Professor Charles Xavier. O monstro do médico, o Hulk de Bruce Banner. Ontem eu dei um pulo no lado louco e voltei. é bizarro e eu não quer voltar lá. Não é a loucura que eu estou acostumado, a loucura proposital, controlada, confortável e engraçada de uma cerveja ou de um baseado. Foi uma loucura assustadora, barulhenta, egoísta, desconsiderada, arrogante, imbecil. E pior, descontrolada e desconfortável. Essa mistura de pensamentos com delírio, febre misturada com álcool, muito álcool e barulho, muita gente indo pra lugar nenhum, celebrando porra nenhuma, e um pouco de tudo que me irrita desde sei lá quando há muito tempo, acumulado num troço que resolveu ser eu por uma noite. Eu, fiquei dormindo em algum canto dentro da mente enquanto essa coisa saiu pra festejar. Era um imbecil, definitivamente, um não-eu. Embora eu fosse aquilo, ou aquilo fosse eu, naquele momento, nem eu mesmo me suportava. Tão nojento que era nojento até para si próprio. Uma bad trip, certamente.

Hulk volta a ser Bruce Banner quando olha para o seu amor. O amor é aquela pessoa que senta na gangorra pra você subir sem que ela caia pro outro lado. O amor, por vezes, traz a loucurinha necessária pra umedecer sua realidade quando ela está seca e árida de tão lúcida. Outras vezes o amor é um salva-vidas e uma toalha quando você está mergulhado na loucura. Eu dei um pulo na loucura ontem, e o amor me trouxe de volta. Hoje tudo está áspero e duro, seco e táctil, nítido demais, real demais. O ar está arido. Hoje eu não vi meu amor.

((( ))) - Ben Folds - Evaporated

Comentários: Power 2:30 AM



20.2.04

Que Neuromancer foi um dos mais importantes precursores de Matrix, disso eu já sabia. Mas não imaginava que fosse tanto assim:

"...e ele continuava sonhando com o cyberespaço, a esperança diminuindo a cada noite. Com todo o speed consumido, todos os giros pelas esquinas de Night City, mesmo assim, ele ainda via a Matrix durante o sono, as tramas brilhantes de lógica desdobrando-se pelo vazio sem cor..." (Neuromancer, p. 13).



Comentários: Power 6:19 PM



11.2.04

Chobits

Eu disse aqui outro dia que a história do mangá Chobits era bem superficial e água com açúcar, e que se resumia ao protagonista chamado Hideki tentando evitar se apaixonar pela sua persocon, a Chi. Até agora era tudo meio cômico a respeito das mulheres que rodeiam Hideki, que são a senhoria do seu condomínio, a professora do cursinho que resolveu dormir na casa dele e uma amiga do colégio com quem pintou um climinha. E claro, a própria Chi, que Hideki fica constantemente lembrando que ela é nada mais do que um eletrodoméstico. Mas as edições 3 e 4 aprimoraram a história e me surpreenderam. Hideki descobre que um colega dele tem um caso em crise com a professorinha, a senhoria se revela como alguém que conhece o passado da Chi e o caso entre Hideki e sua colega começa a tomar consistência. Além disso, temos agora o ponto de vista da própria Chi, que busca alguém para gostar dela e apenas dela. No fim das contas, Chobits é sobre isso: encontrar "a" pessoa que irá gostar apenas de você, e que você irá gostar apenas dela. Vale a pena ler: no mínimo é melhor do que qualquer novela.

Comentários: Power 12:37 AM



9.2.04

Ramones - SHE BELONGS TO ME

What makes you think she'll go with you?
What makes you think you're better than me?
You think you can read her mind?
Maybe you're just looking for a good time
Maybe you can give her more
Tell me what you're doing this for
Stay away from her, 'cause it's making me angry

Don't tell me how to love my baby
Don't tell me how to love my baby
Don't tell me how to love my baby
Don't tell me how to love my baby
She belongs to me

You come around looking for kicks
But I know all about your dirty tricks
You think you can take away my dream?
Ain't gonna be easy 'cause I get real mean

Get out of here, get out of my life
You're gonna be sorry if we have to fight
Stay away from her, 'cause it's making me angry

Don't tell me how to love my baby
Don't tell me how to love my baby
Don't tell me how to love my baby
Don't tell me how to love my baby
She belongs to me

Don't tell me how to love my baby
Don't tell me how to love my baby
She belongs to me
-------------------------

And I love her.

Comentários: Power 12:38 AM



5.2.04

Um punhado de metodologia e um fio de criatividade

Embora eu tenha cozinhado nada além de massa, molho e bifes pré-prontos, esse verão e a minha estada no Cassino contribuíram para que eu tornasse certeza algumas idéias que eu tinha sobre cozinha e, acredite, sobre design. Existem receitas definidas para macarrão, por exemplo, mas os bons cozinheiros são aqueles que não se apegam a medidas exatas. Nada de "23,5 gramas de sal". Os grandes chefs trabalham com valores espantosamente vagos, definidos "a olho", como "um fio de óleo" ou "dois punhados de sal". O que importa não é seguir as receitas ao pé da letra. É justamente a diferença entre o meu punhado e o seu que dá a cada prato o sabor particular de cada chef. E vale o mesmo para o prato de cada dia do mesmo chef: o punhado de sal hoje é diferente do de amanhã, e cada prato é único. Sem falar nos ingredientes extras que cada cozinheiro adiciona às receitas por conta própria. É isso que dá a graça de dizer "o Fulano prepara um filé ao molho madeira como ninguém!" ou "esse filé hoje está bom, mas igual ao daquele dia, acho que eu nunca mais comi".

Os primeiros dias de cozinheiro não foram dos melhores, a massa saía gosmenta, muito crua, muito mole, pouco sal, muito sal. Perguntei para as mais variadas pessoas o segredo de uma boa massa, e cada uma me disse uma coisa. Uns disseram que o segredo é tirar um pouco antes de ficar "pronta", quase na hora... tão eficaz quanto o coito interrompido. Outros disseram que o segredo era botar pouco óleo (não mais que um fio ou uma volta... um fio? uma volta?), outros ainda, sugeriram 'lavar' a massa com água fria, enquanto minha vó disse que o certo é com água fervendo. O fato é que é preciso, dentro de parâmetros gerais, criar o seu próprio método, e o macarrão terá o sabor da sua personalidade. As melhores massas que eu preparei foram justamente aquelas em que eu usei as técnicas mais absurdas e inventadas por mim. A melhor de todas, apenas pra ilustrar, ia ser jogada fora. Pois eu inventei a técnica de "recuperação da massa". A partir daí, a melhor maneira de fazer uma massa boa era primeiro fazê-la ruim, pra depois aplicar a técnica da ressureição: - Levanta-te e anda, espaguete!

Em cada livro de design que eu li, era sugerida uma metodologia diferente de trabalho. Desde o briefing até o desenvolvimento do projeto. Há os matemáticos, que criam matrizes de avaliação e dão notas para diferentes alternativas, e ganha a que obter o total mais alto; há os detalhistas, cujo briefing contém trocentas páginas, e que dividem o trabalho em várias fases, e cada fase em infinitas etapas; e há, finalmente, aqueles mais práticos, que aplicam um briefing superficial de uma página, e que não têm uma divisão muito definida do trabalho: apenas fazem, se o cliente gostar, manda pra gráfica.

Dificilmente você vai adotar uma metodologia e aplicá-la tal qual ensina o livro e se dar bem. O que eu uso hoje é uma mistura de métodos diferentes que eu já li, somado a algumas modificações por conta própria. Mas não é nada de se apavorar. A personalização do método vem ao natural, como na cozinha. Se a massa tem pouco sal, não é necessário procurar uma receita de massa salgada; apenas coloque um punhado maior de sal na próxima vez. Se você tem um palpite de que algo vai dar certo, arrisque; pode ser que você esteja descobrindo aquele temperinho secreto. quando você menos perceber, terá desenvolvido seu método particular. E na próxima vez em que precisar discutir um briefing com o cliente, chame-o para almoçar. E sirva-lhe um delicioso "macarrão de Lázaro", com um punhado de metodologia e um fio de criatividade.

annoying neighbors - Ramones - I believe in miracles

Oh I believe in miracles
I believe in a better world for me and you

I close my eyes and think how it might be
the future's here today
it's not too late, it's not too late oh

I believe in miracles...




Comentários: Power 12:56 PM



Parafraseando Arnaldo Jabor...

Eu sou um neo-romântico bobo... =)

Comentários: Power 11:27 AM



4.2.04

Can life get any better than this?

Em andamento (muito vagarosamente):

O Universo Numa Casca de Noz (Stephen Hawking);
Sinais e Símbolos (Adrian Frutiger);
O Senhor dos Anéis (Tolkien).

Em eterna leitura e releitura, sempre conveniente:
Carlos Drummond de Andrade - Antologia Poética

Parei na metade (mas vou continuar):

Operação Cavalo de Tróia 2 (J. J. Benítez);
Design Gráfico: Uma história concisa (Richard Hollis);
Produção gráfica para designers (Marina Oliveira).

Estão na estante, mas eu me recuso:

Os 100 segredos das pessoas de sucesso (foda-se o autor);

Finalizados e altamente recomendados:

Alice no País das Maravilhas (Lewis Carrol);
Matrix: Bem-vindo ao Deserto do Real (William Irwin);
Operação Cavalo de Tróia (J. J. Benítez);
Sanduíches de Realidade (Arnaldo Jabor).

Para designers:
Uma Introdução à História do Design (Rafael Cardoso Denis);
Viver de Design (Gilberto Strunck);
Sistemas de identidade visual (Maria Luísa Peón);
Sinais e Símbolos (Adrian Frutiger);

Para entusiastas da arte:
A Pequena História da Arte (duílio Batiston Filho).

Na Livraria, gritando meu nome:

Neuromancer (William Gibson);
O que é o virtual? e Cibercultura (Pierre Levy);
a Pílula Vermelha (Glenn Yeffeth);
A República e Hípias Maior (Platão);

Na estante da minha mãe, e na fila de espera:

A Ditadura - envergonhada, escancarada e derrotada (Elio Gaspari).

Em quadrinhos:

Toda série Sin City do Frank Miller;
O Reino do Amanhã apenas pela arte do Alex Ross;
Hard Boilled do Geof Darrow;
Druuna do Serpieri e Click do Milo Manara;

Recomendados:
Pra quem é, como eu, fã do Wolverine, é pecado deixar passar as edições encadernadas de Origem e Arma-X.
Arma-X é clássico, não tenho a edição encadernada mas tenho a história completa distribuída em 3 revistas em formatinho e papel jornal, que vieram dentro de uma caixinha "rasgada" na frente pelas garras do Wolvie.

Agora, Origem... Há quanto tempo eu não via algo tão bom da Marvel? Desde a Era do Apocalipse. Não espere uma HQ: É um filme. Desenhos de Andy Kubert, pintura de Isanove e roteiro de Paul Jenkins. Como ficou tão bom? Porque foi supervisionado de perto por Joe Quesada. E pra evitar as famosas contradições em HQ, Joe Quesada continua como editor-chefe na revista X-Men mensal, obrigando os roteiristas a desenvolver suas histórias tendo as revelações de Origem como premissa.
Se você é fã de Wolverine, leia Origem. Se você não entendeu porque andam chamando o Logan de James, leia Origem. Se você não gosta de quadrinhos, leia Origem!

Asilo Arkham - apesar de ser do Batman, vale a pena pela arte do Dave McKean, e um roteiro bem interessante do Grant Morrison.

Victory contra-ataca: mini-série em 4 edições de um mangá brasileiro que foi febre nos EUA. Vale APENAS pelo desenho. O roteiro é péssimo e o texto é débil-mental. E mesmo assim o desenho é volta-e-meia prejudicado pelos malditos SD (super deformed) do mangá. Pensando bem eu não recomendo muito.

Chobits - Mangá mangá mesmo. De ler ao contrário, formato de bolso, preto e branco, mensal. O desenho não é nada de outro mundo, mas o argumento é bom: No futuro, os computadores pessoais são em forma de pessoas, ou melhor, meninas. São as chamadas persocons. Elas são uma espécie de andróides que acessam a internet, calculam, imprimem, se conectam na tv, cozinham, conversam e fazem tudo o mais que você ensinar a elas. O carinha acha uma dessas no lixo, leva pra casa e descobre que ela é um tipo especial de persocon: uma Chobit. Ela é uma gracinha e ele precisa ficar o tempo todo lembrando que é apenas um computador e que não pode se apaixonar. É óbvio que ele se apaixona. Sendo uma revista japonesa e sendo os japoneses tarados, não preciso dizer que a revista é desaconselhável para menores. Mas também não é nada muito pesado (bem menos do que Druuna, por exemplo). Apesar de futuristas, não são nada cyberpunk-mundo-cruel e etc. São historinhas superficiais, água com açucar, erotismo muito leve e com toques de comédia. Apesar de ter que ler a revista ao contrário, e de ter as peculiares linguagem e ritmo do mangá japonês, eu recomendo pra quem não lê muito HQ e não tá afim de se envolver muito, comprando 3 ou 4 revistas por mês. Até porque esses mangás são geralmente séries de uns 25 volumes e depois terminam. Dá pra se divertir por 2 anos.

Como podemos constatar, a não ser pelos quadrinhos, minhas leituras de assuntos gerais estão sendo atravancadas por leituras técnicas ou relacionadas ao Design Gráfico. Não que eu não goste...

Tchau, vou andar de skate.

sounding - Natiruts - Presente de um Beija-Flor

...Olha só como é lindo o meu amor...
estou feliz agora...


Comentários: Power 7:49 PM




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