4.1.08

de onde vem o grito?

o grito veio do banheiro.
o grito veio do fim do corredor.
o grito veio do prolongamento do corredor que era iluminado pela luz vermelha-chumbo de um por de sol poluído
o grito veio do quarto.
o grito veio do quarto dos miúdos.
o grito veio do franzino e as crianças se abriram num berreiro feio.
o grito veio do dormitório feminino.
o grito veio do coração dela.
o grito veio do coração dele.
o grito veio do Rio Grande do Sul.
o grito veio do lago.
o grito veio do homem.
o grito veio do interior de minha mente.
o grito veio do lado de fora.
o grito veio do fundo do ônibus.
o grito veio do alto de um prédio.
o grito veio do sudoeste da casa do Santa Claus.
o grito veio do tal rapaz que na verdade “berrava”.
o grito veio do jovem garoto que carregava a caixa de pandora contendo a armadura de Pégaso nas costas.

Comentários: Power 5:52 AM



monólogo com um Beatle

Central Park, New York.
Óculos escuros, parado em frente ao memorial John Lennon.
"Ele? não acredito." - lado oposto do círculo.
Aproxima-se - "hi".
"You, my friend, are a legend." longo aperto de mão.
"I'm standing here, almost crying about - you know -, John..."
"Then I see YOU. Two things immediately get on my mind: one, I'm not even close of getting what is to miss him, not like you do, and two, I have a reason not to cry, and that is Ringo Starr standing right in front of me."

Comentários: Power 5:51 AM



21.11.07

Fazendo arrumação no meu quarto, resolvi mexer nos disquetes velhos. Após separar os estragados, apagar velharias de outros, encontrei este todo preto, sem etiqueta, sem nada.



Botei no drive. Havia somente um arquivo: "sobre este disquete.txt".

Confesso que eu me orgulho de mim em momentos como esse. Uma pequena surpresa que eu preparei pra mim mesmo. Eu sabia que iria me esquecer e um belo dia reencontrar o disquete.

O texto foi escrito em 24/11/2006, exatamente há um ano atrás. Acho que Novembro me dá vontade de mexer em disquetes.

Eu me arrependo de ter me desfeito do meu Atari. Não era na verdade um Atari, era um CCE (Atari-compatível). Hoje em dia um Atari é coisa cult.

Por isso eu guardo essa pilha de disquetes, espero que um dia eles também sejam cult. Ou que eu pense em algo inusitado pra fazer com um monte de disquetes. Mas vamos ao texto:

Parabéns, voce achou o disquete premiado. Vai ganhar um.. um.. hã.. um virgula 44 MB. ;)

Falando sério:
Este disquete é novo e está bom. Este documento foi escrito dia 24/11/2006;
Disquete, no entanto, é tecnologia ultrapassada, por favor, não tem um pendrive?

Não durmo fazem 48hs. O que nos leva aos devaneios. Não dormir pode potencializar a criatividade. Não dormir provoca uma sensação estranha de ultra-realismo.

Como se tudo fosse mais perceptível, cada pequeno evento. A luz é mais forte os sons mais audíveis, as coisas mais ásperas, mais nítidas.

A comprovação deste fato se deu empiricamente quando eu me indagava se isto acontecia apenas comigo, até que um dia um amigo que ficou 2 dias sem dormir comentou comigo, sobre como dormir causava-lhe uma sensação de realidade exacerbada. A mesma sensação. Plim!

A vida parece um filme do Sean Penn no estilo 21 gramas, meninos e lobos e outros tantos hiper-realistas com alto contraste e câmera balançando, tomadas inteiras, etc.
No entanto nao são estas as características sentidas ao não dormir. São outras.

É difícil descrever mas tudo parece mais real, ou pelo menos eu estou agora mais a par da realidade e acompanhando todos os alfinetes que caem à minha volta - para citar o exemplo clichê de pequenos eventos que passam a ser perceptíveis. Não necessariamente alfinetes estão caindo à minha volta... (isso seria bem estranho).

Anyway, preciso dormir agora, gostaria de saber qual o próximo estágio que minha mente alcançaria se eu continuasse desperto. Talvez eu saísse da matrix, talvez eu tivesse insights geniais 'a nível de' teoria geral da relatividade. Mas se a mente passeia por novos perfis de interpretação, se chega - se é que chega - a perceber mais do que o comum, o corpo age em sentido contrário e fica debilitado. Maldito corpo. Bendito corpo.

Tenho sono e preciso dormir. Escrevi demais e não consegui chegar num ponto de reviravolta para usar uma frase que eu pretendo ainda usar em algum escrito quando a história chegar a de fato alguma reviravolta muito incrível.

Eu direi: "eu deveria agora saltar uma página, deixar uma linha em branco, escrever 'capítulo 2' ou qualquer outra coisa que pudesse representar a mudança radical dos fatos que descrevo". Algo assim, é engraçado, embora eu normalmente deteste referências diretas ao leitor. Quando uso é em ironia ao fato de fazer isso em si, mas detesto ainda mais é nos filmes, quando o ator olha pra câmera e diz alguma babaquice blá blá blá não é mesmo caro espectador? se eu pudesse responder eu mandaria o ator à puta que o pariu.

Preciso dormir. Um fato interessante são os espasmos corporais. o corpo treme, principalmente os músculos da face, a pálpebra e os lábios. mas ninguém vê, só o desperto.

Talvez a hiper-realidade seja uma conseqüência (longa vida ao trema!) da falta de fantasia e de surrealidade do mundo dos sonhos. Morpheus deve estar indignado pois estou 48hs atrasado para nosso encontro. Ok Sandman, here I go.

Comentários: Power 4:30 PM



8.8.07

O que vale hoje não é mais uma obra fechada e imutável, mas uma obra-embrião, que germina na criatividade coletiva dos fãs que alfere por qualidade, e cresce sem limites previsíveis de forma ou mídia.

o mundo descrito por Tolkien em Senhor dos Anéis, por exemplo, continua a crescer e eriquecer pela ação dos fãs. A quantidade de material a respeito, hoje, é imensurável.

Os originais se mantém, mas não se bastam. Ninguém mais quer (e nem precisa) ser passivo no entretenimento e na cultura. Todos podem ser ativos e colaboradores. Gostem os autores ou não. Os que não gostarem, que encerrem suas obras em um cofre, ainda que seja ele sua cabeça.

Comentários: Power 5:33 PM



Adolescente francês é preso por tradução pirata de 'Harry Potter'
"Neste mundo gerado pelo usuário, é um tiro no pé coibir a ação de um fã que traduz uma obra de 700 páginas gratuitamente".

A polícia francesa prendeu um adolescente de 16 anos que fez uma 'tradução pirata' do último livro do Harry Potter.

Segundo a notícia no G1, os investigadores ficaram surpresos com a qualidade da tradução, considerada semiprofissional. A notícia diz ainda que o jovem não teve nenhum fim lucrativo com a sua tradução, apenas era um fã que dominava muito bem o inglês.

Isso nos leva a pensar muito sobre a disparidade das burocracias mundiais em relação ao que é, verdadeiramente, a realidade social de hoje.

Não cabe aplicar a pena de uma lei a este jovem, como se ele estivesse fabricando cópias ilegais e vendendo livros piratas há dez anos atrás. As coisas mudaram e quem tem dificuldades são aqueles que ainda vivem sob o modelo obsoleto de comércio e sociedade.

Não tendo nenhuma intenção de lucro, nem de prejudicar os donos da obra, o que se pode realmente dizer do jovem francês é que ele é inteligente, capaz e altruísta. Tudo isso deveria ser enaltecido em vez de punido.

Não sendo uma cópia com a intenção de se passar pelo original, tudo o que ele fez foi contar em francês uma história que ele leu num livro inglês. Se despertou o interesse de muitas pessoas, se o acesso foi fácil porque ele utilizou a internet como meio (e porque não utilizá-la hoje em dia?), parabéns a ele por sua capacidade, não há nada aí para ser punido.

J. K. Rowling, sua editora e sua distribuidora deveriam tirar melhor proveito dessa realidade, usando a internet para divulgação e como catalisador de vendas. Neste mundo gerado pelo usuário, é um tiro no pé coibir a ação de um fã que traduz uma obra de 700 páginas gratuitamente.

Cabe aos marqueteiros adaptarem-se à nova realidade e botar a criatividade pra funcionar, inventando uma forma de lucrar nesse novo paradigma. Talvez eles tenham que abrir mão de alguma coisa, como o controle absouto de suas imaculadas propriedades. Paciência; hoje, tudo são versões e releituras, mixagens e colagens, a informação é mutante e orgânica, inconstante.

Proibir a ação das pessoas não só é impossível como é errado. Não irá se submeter a sociedade ao mercado, mas sim o mercado à sociedade.

Comentários: Power 5:16 PM




arquivo